As micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo registraram em março o 18º mês seguido de aumento real no faturamento, com alta de 3,2% ante o mesmo mês de 2010. Mas o dado não é totalmente positivo: houve uma pequena desaceleração em relação a fevereiro – quando o crescimento anual foi de 3,4% – e, na divisão por setores, a indústria registrou retração de 5,5% no período, informou hoje o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP).

Segundo o diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, os dados acendem um “sinal amarelo” para a pequenas indústrias. “Nessa conjuntura de desaceleração da economia, de aumento de juros e câmbio desvalorizado, a indústria é a primeira a sentir”, explica. Porém, Caetano afirma que pode ter havido uma leve distorção no dado de março, já que o mês teve menos dias úteis, por conta do carnaval. Assim, a indústria pode ter antecipado a produção para fevereiro.

Além disso, a base de comparação é alta, já que março de 2010 foi o último mês em que vigoraram os incentivos do governo federal para os eletrodomésticos da chamada linha branca (fogão, geladeira, lavadora e tanquinho). “É preciso esperar os próximos meses para vermos o que vai acontecer”, diz Caetano.

Outra questão que pode impactar as pequenas empresas é a inflação, que prejudica o faturamento real. O diretor do Sebrae-SP concorda que o governo precisa combater a inflação, mas defende a adoção de outras medidas, além do aumento da Selic (a taxa básica de juros). “Não pode ser sempre o empresário a ser penalizado. Nós defendemos o ajuste fiscal do governo, cortar gastos, sobretudo na área de custeio”, disse.

A pesquisa do Sebrae-SP também mostrou que 48% dos empresários entrevistados esperavam estabilidade na economia brasileira nos próximos seis meses, enquanto 32% acreditavam em uma melhora e 11% previam uma piora no cenário econômico. Segundo Caetano, geralmente os empresários são mais otimistas do que os economistas, pois acreditam que, mesmo dentro de uma conjuntura mais apertada, vão conseguir driblar as dificuldades, devido à confiança em seu produto e em sua capacidade empreendedora. “É uma expectativa de estabilidade, mas dentro de um quadro de crescimento”, aponta o diretor.

Reforma tributária

O diretor do Sebrae-SP afirma ainda que aprova a proposta de minirreforma tributária apresentada esta semana pelo governo. O plano da administração federal é reduzir gradualmente, até 2014, as alíquotas interestaduais, que hoje atingem até 12%, para 2%. “Toda e qualquer diminuição de tributos ajuda as empresas a crescer”, aponta Caetano.

Caetano diz, porém, que a reforma mais aguardada pelos microempresários é o aumento das faixas de enquadramento no Simples – o sistema simplificado de pagamento de tributos. “Se a MP (medida provisória) vier a ser aprovada, cerca de 500 mil micro e pequenas empresas serão imediatamente beneficiadas, pagando menos impostos e de maneira mais simplificada”, comentou.