As fabricantes de veículos instaladas no Brasil têm aproveitado a boa situação econômica e usado os lucros obtidos no País para cobrir prejuízos no exterior. Em ano de vendas recordes, a indústria automobilística liderou a remessa de lucros e dividendos em 2007. Conforme dados do Banco Central, as montadoras enviaram US$ 2,702 bilhões às sedes no ano passado. O valor é 106,77% maior que o de 2006. Sozinhas, as empresas do setor responderam por mais de 10% dos US$ 21,2 bilhões remetidos pelas multinacionais no ano passado.

Com volume de remessas mais de duas vezes maior de um ano para o outro, as montadoras deixaram para trás empresas do setor de energia e gás e do segmento financeiro, que lideraram o ranking do envio de lucros e dividendos em 2006.

Especialistas explicam os números significativos por dois fatores: o forte aumento das vendas internas e os resultados ruins no exterior. Além disso, as montadoras se beneficiaram também de outro fator que ajudou todas as empresas estrangeiras: a valorização do real, que torna as remessas mais atrativas. No ano passado, o licenciamento de veículos no Brasil cresceu 27,8% em relação a 2006, para 2,462 milhões de unidades. O resultado é o melhor desde 1997, ano de 1,94 milhão de licenciamentos.

Ao mesmo tempo, nos EUA, montadoras como a Ford e a General Motors anunciaram prejuízos seguidos nos últimos trimestres. ?O dinheiro acabou voltando para cobrir parte dos prejuízos que as montadoras estrangeiras, principalmente as americanas, tiveram?, diz o analista do setor automobilístico da Tendências Consultoria, Alexandre Andrade.