Os preços administrados por contrato e monitorados pelo governo tiveram alta de 0,37% em Curitiba, no mês de julho. A variação superou a inflação da capital paranaense, que foi de 0,29% pelo IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Porém no acumulado do ano, os preços públicos (5,21%) subiram menos que a inflação (5,58%). Nos últimos doze meses, o índice (12,51%) também ficou abaixo do IPCA (14,20%). O levantamento foi divulgado ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e pelo Senge/PR (Sindicato dos Engenheiros do Paraná).

Para uma família curitibana, o custo médio dos serviços públicos foi de R$ 400,35 -contra R$ 398,89 em junho. A alta das tarifas públicas foi influenciada pelo aumento de 1,99% no preço da gasolina, que teve o preço médio do litro alterado de R$ 1,861 para R$ 1,898. Houve reduções de 13,06% no valor do álcool combustível (de R$ 1,164 para R$ 1,012), de 1,22% no diesel (de R$ 1,391 para R$ 1,374) e de 0,06% no gás de cozinha (o bujão de 13 quilos passou de R$ 30,78 para R$ 30,76, em média).

A variação dos preços administrados em junho foi revisada pelo Dieese de 2,39% para 0,83%. Inicialmente, a entidade havia calculado o impacto do reajuste de 26,3% nos serviços de telefonia fixa, conforme autorizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), porém posteriormente a Justiça decidiu pela aplicação do IPCA nas correções dos contratos das concessionárias. Assim, o aumento na assinatura da Telepar Brasil Telecom foi de 14,33% e no pulso de 14,34%. “O reajuste da telefonia ainda está em aberto porque está sub judice”, destacou o economista Sandro Silva, do Dieese.

Na energia elétrica, a única elevação (de 15,79%) ocorreu na tarifa do seguro-apagão, que passou de R$ 0,0078 para R$ 0,0090, representando aumento médio de 0,4% na conta de luz. Por decisão do governador Roberto Requião, o reajuste autorizado pela Aneel à Copel foi transformado em desconto para os consumidores adimplentes. No mês passado, houve queda nos preços dos combustíveis: gasolina (-6,10%), álcool (11,28%) e diesel (-1,56%).

A coleta da primeira semana de agosto aponta para nova variação positiva nos preços públicos neste mês. “A possibilidade de alta é puxada pelos combustíveis e por nova decisão sobre a telefonia”, comentou Sandro Silva. Na primeira semana, o preço médio do gás de cozinha caiu 1,69% (para R$ 30,24), a gasolina subiu 3,21% (para R$ 1,959), o álcool encareceu 6,52% (para R$ 1,078%) e o diesel reduziu 0,29% (para R$ 1,370). A pesquisa do Dieese e Senge/PR compara os preços vigentes no último dia útil de cada mês.

Ranking

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o valor médio do GLP (gás liqüefeito de petróleo) em Curitiba foi o segundo menor entre 16 capitais pesquisadas. O bujão de 13 quilos custava R$ 27,21, variando de R$ 24,00 a R$ 31,00. Também de acordo com a ANP, o preço médio da gasolina na capital paranaense em agosto (R$ 1,898) – que costumava ser o menor do Estado – ficou em 18o lugar entre 23 cidades pesquisadas. “A margem de lucro dos postos passou de R$ 0,13, em julho, para R$ 0,176, reflexo da concorrência e do aumento da fiscalização”, assinalou Sandro Silva. Mesmo com a elevação, a gasolina de Curitiba ficou como a quinta mais barata entre as 16 capitais pesquisadas.