O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que os indicadores recentes relacionados à atividade econômica continuam “mostrando melhora desde a última reunião”. Essa avaliação consta da ata divulgada hoje pelo Banco Central. Na avaliação dos diretores do BC, essa recuperação é notadamente liderada pelo consumo. Na indústria, os dados apontam para a acomodação da demanda externa e do investimento. Os diretores BC observam que após a queda da contribuição do crédito na demanda interna, há sinais de recuperação nos empréstimos, principalmente para as pessoas físicas, o que tem aquecido a demanda.

O Comitê também afirma que a confiança de consumidores e empresários também tem mostrado “sinais mais consistentes de recuperação”. Para o Copom, os dados mais recentes sobre a atividade econômica reforçam a avaliação de que as influências contracionistas da crise sobre a economia “poderiam se mostrar persistentes, mas não seriam permanentes”.

Margem residual

A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) eliminou frase observada no documento de junho que citava que havia, na época, “margem residual” para a continuidade do processo de flexibilização da política monetária. No documento do mês passado, essa avaliação sobre o espaço para continuar os cortes de juro constava do texto. Nessa parte, os diretores afirmavam que, “a despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa”.

Não há qualquer menção desse tipo no documento divulgado hoje. A única citação sobre o espaço residual para os cortes está no passado – e não com vistas ao futuro, como em junho. No trecho 26 da ata de julho, ao comentar a decisão de corte da taxa básica de juros (Selic) para 8,75% ao ano, o texto diz que “houve consenso de que o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação ainda justificaria estímulo monetário residual”. O texto também não cita a necessidade de decisões “parcimoniosas” nos juros. No mês passado, os diretores do BC afirmavam que “qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa”.

Aversão ao risco

É possível observar “abrandamento” dos indicadores de aversão ao risco e aperto das condições de liquidez nos mercados internacionais. A avaliação consta da ata da reunião de julho do Copom. “O aumento da aversão ao risco e o aperto das condições de liquidez prevalentes nos mercados internacionais continuam impondo ajuste no balanço de pagamentos, mas mostram sensível abrandamento na margem”, cita.

Nesse trecho do documento, os membros do Comitê afirmam que desde junho, a última reunião do grupo, “continuaram se acumulando sinais, ainda que sujeitos à reversão, de redução da aversão global ao risco”. Essa melhora gerou “impactos tanto sobre os preços de ativos brasileiros quanto sobre os de certas commodities”.

Apesar desse movimento recente, os índices de preço ainda mostram redução das pressões externas, cita o documento. Esse fenômeno acontece “especialmente nas economias maduras, mas também em algumas emergentes”. Por isso, a despeito da alta das commodities desde o início do ano, “o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo, até o momento, predominantemente benigno”.