Brasil está no meio de uma tempestade perfeita e a crise ainda vai piorar antes de as coisas começarem a melhorar, diz a pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional Mônica Baumgarten de Bolle. “Na economia nós já tínhamos a crônica de uma crise anunciada, o problema é que tudo veio à tona junto com um escândalo de corrupção (a Operação Lava Jato, da Polícia Federal) e uma crise política. Temos protestos em todo o País, a taxa de aprovação da presidente Dilma Rousseff está muito baixa. É uma tempestade perfeita”, diz Mônica em um vídeo publicado no site da instituição.

A pesquisadora aponta que os dados indicam uma contração anual de 3% na atividade econômica no segundo trimestre e já há previsões de que 2016 também possa ser um ano de recessão. Se isso se concretizar, seria a primeira vez que o Brasil tem dois anos seguidos de queda no PIB desde a Grande Depressão, na década de 1930.

Mônica afirma que os escândalos de corrupção na Petrobrás não tocaram diretamente Dilma, mas existe uma percepção na população de que ela está envolvida de alguma forma, uma vez que foi presidente do conselho de administração da estatal e ministra de Minas e Energia na época em que esses crimes ocorreram.

Saída da crise

Na avaliação da economista, a agenda para sair da crise passa pelo ajuste fiscal, mas não se limita a isso. “A consolidação fiscal é uma das coisas que precisam ser feitas, mas depois tem muitas outras, incluindo repensar o papel dos bancos públicos na economia, porque isso cria várias distorções e acaba dificultando a elaboração de políticas”, comenta Mônica.

Entretanto, como a crise política torna muito difícil a aprovação de qualquer medida no Congresso, as perspectivas não são animadoras. “O problema é que quando você está no meio de uma crise política e não tem apoio público, se torna muito difícil ver como isso (a aprovação das medidas necessárias) poderia acontecer. Eu temo que estamos nos encaminhando para uma crise completa antes que essas coisas comecem a ser resolvidas”, afirma Mônica.