São Paulo, 15 – O Brasil iniciou nesta segunda-feira, 15, uma série de consultas com a Indonésia, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para discutir as barreiras aplicadas às exportações brasileiras de carne de frango, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A reunião acontece na sede da OMC, em Genebra, na Suíça, e deve se estender até terça-feira, 16. A alegação da delegação brasileira é de que, ao adotar práticas que impedem a entrada da proteína em seu mercado, o governo da Indonésia fere regras de diversos acordo internacionais, entre eles o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT).

“Há pelo menos seis anos a ABPA – então como ABEF – vem negociando, juntamente com o governo brasileiro, a abertura do mercado indonésio. Diversas missões já foram promovidas, com a entrega de vários documentos questionando a não-abertura. Entretanto, não houve resposta por parte do governo do país asiático”, explica, em nota, o presidente-executivo da entidade, Francisco Turra.

A ABPA participa da delegação enviada à Genebra, que conta ainda com representantes dos Ministério das Relações Exteriores (MRE), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

De acordo com a associação, a produção de carne de frango da Indonésia é baixa, com um volume total inferior a 1 milhão de toneladas. Com uma população de mais de 250 milhões de habitantes, o país, segundo avaliação do vice-presidente de aves da ABPA, Ricardo Santin, detém hoje um grande potencial para importação de carne de frango brasileira.

O consumo indonésio, cuja maioria (87%) da população é de origem muçulmana, está centrado em produtos halal, que seguem diretrizes de produção determinadas pelo islamismo. Segundo dados da ABPA, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carne de frango halal, com quase 1,8 milhão de toneladas embarcadas anualmente – quase metade das cerca de 4 milhões de toneladas exportadas pelo País por ano.

“Por isto, o país é o principal parceiro de grandes mercados consumidores deste segmento, como países do Oriente Médio e Ásia. Estamos preparados para fornecer, também, para a Indonésia. Por meio da OMC, buscaremos viabilizar este importante mercado”, afirma Santin.