O analista sênior da Moody’s, Mauro Leos, afirmou nesta quinta-feira (23) que a classificação de risco brasileira não terá uma nova elevação neste ano, o que significa que o País só poderá alcançar o esperado grau de investimento pela agência a partir de 2008. Em entrevista à Agência Estado, ele mencionou o aumento das incertezas nos mercados financeiros internacionais como um fator que limita uma visão mais otimista para o Brasil no curto prazo. "As condições hoje não são tão boas como foram há até bem pouco tempo. Será um período de prova para todos os emergentes, inclusive o Brasil", considerou.

Nesta tarde, a Moody’s elevou os ratings dos títulos do governo em moeda estrangeira e moeda local de "Ba2" para "Ba1". Desta forma, a nota igualou-se à das demais agências (Standard & Poor’s e Fitch), que em maio colocaram o Brasil a um passo do grau de investimento. Questionado sobre a demora em aumentar a classificação brasileira, Leos disse que as mudanças que justificaram o novo patamar da nota do País são recentes. "O crescimento da economia e a redução da taxa básica de juros começam a ter impactos nas contas públicas agora.

Segundo Leos, a área fiscal foi e continua sendo o principal fator de preocupação da agência em relação à economia brasileira. Ele destacou a melhora no perfil e a redução da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). "Mas, em comparação com outros países que já são grau de investimento, é preciso fazer um pouco mais", ponderou. Ele defendeu um processo de redução dos gastos correntes, que vêm crescendo ano a ano e podem ser uma fonte de pressão para o governo no futuro, já que não há mais espaço para elevação da carga tributária.

A elevação da nota do Brasil durante o processo de ajuste nos mercados foi uma espécie de "voto de confiança" na capacidade do País de enfrentar a crise, apesar das incertezas, de acordo com o analista da Moody’s. "Esse assunto (o impacto da crise) foi muito discutido em nossos comitês, mas acreditamos que os investidores saberão diferenciar o Brasil de outros países", ressaltou. Ele destacou que o governo poderá fazer uso de suas reservas internacionais como uma espécie de "colchão", caso haja uma deterioração do cenário econômico.