A reestruturação da dívida da Grécia seria uma catástrofe que poderia desestabilizar a zona do euro e impor riscos para a inflação no bloco, afirmou hoje Jean-Claude Juncker, diretor do grupo de ministros de Finanças da Europa. O impacto que uma reestruturação teria sobre a inflação e a estabilidade da zona do euro é muito “incerta e desconhecida”, disse Juncker, que também é primeiro-ministro de Luxemburgo. Questionado se essa reestruturação seria uma catástrofe, a autoridade respondeu que sim.

“Nós não deveríamos falar sobre uma reestruturação” porque a discussão de um assunto sensível como esse apenas aumenta os riscos, afirmou a autoridade. Os comentários seguiram-se a uma reunião de ministros de Finanças da zona do euro realizada na sexta-feira passada para discutir o progresso da Grécia em suas reformas estruturais.

O grupo – que também incluiu o presidente do Banco Central Europe (BCE), Jean-Claude Trichet – decidiu que a Grécia precisa de mais ajustes, mas excluiu a reestruturação da dívida soberana ou uma saída do país da zona do euro. Segundo Juncker, a Grécia tem uma “chance razoável” de colocar sua dívida sob controle se tomar mais medidas para consolidar seu orçamento e garantir a estabilidade de longo prazo do euro. Essas medidas incluem privatizações e reformas estruturais.

Juncker comentou que a Grécia tem “um problema de competitividade clássico”, enquanto Portugal tem um problema de crescimento econômico e a Irlanda tem um problema bancário. A autoridade também defendeu a introdução de sanções automáticas para países que romperem as regras fiscais europeias e comentou que a zona do euro teria resistido à crise de forma mais difícil sem a moeda comum em razão das flutuações cambiais.

Juncker acrescentou que a regulamentação dos mercados financeiro ainda não acabou e disse que a Europa ainda está muito longe da transparência na regulamentação de muitos produtos. As informações são da Dow Jones.