Com variação de 0,19% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Curitiba registrou em agosto a menor inflação entre as onze regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. A taxa da capital paranaense ficou 0,46 ponto percentual abaixo do IPCA nacional do último mês (0,65%), que, por sua vez, apresentou recuo de 0,54 ponto percentual em relação ao IPCA de julho (1,19%).

No acumulado do ano, o IPCA fechou em 4,85%, abaixo do percentual de 5,06% verificado no mesmo período de 2001. Em Curitiba , o IPCA acumulado de janeiro a agosto também é o menor do País (4,35%). Nos últimos 12 meses, o índice nacional situou-se em 7,46%, próximo do resultado dos 12 meses imediatamente anteriores (7,51%). Em agosto de 2001 a taxa mensal foi 0,70%.

Na avaliação dos técnicos do IBGE, a queda na taxa de um mês para o outro é atribuída à menor intensidade de reajustes de preços administrados, cuja alta ficou concentrada em julho. As tarifas de telefone fixo apresentaram variação de 0,30%, depois de registrarem alta, em julho, de 10,54% e contribuição de 0,31 ponto percentual no índice. Os preços do gás de cozinha caíram 3,11% e os da gasolina, 1,39%, itens que subiram em julho 4,42% e 2,87%, respectivamente.

Por outro lado, sob influência da entressafra e do câmbio, ocorreu aceleração no ritmo de crescimento dos preços de alimentos e a variação do grupo Alimentação e Bebidas passou de 1,05% em julho, para 1,94% em agosto. O pão francês, em razão da alta do trigo, subiu 9,70%, ficando com a maior contribuição individual no IPCA de agosto, 0,14 ponto percentual. Tendo o trigo como principal insumo, aumentaram também os preços da farinha de trigo (11,69%), pão doce (7,31%) e macarrão (4,23%). Vários outros produtos apresentaram alta, com destaque para óleo de soja (7,48%), feijão-preto (6,12%) e carnes (3,63%).

A baixa inflação da Região Metropolitana de Curitiba foi influenciada principalmente pela redução de 6,74% no gás de cozinha, que deixou o grupo Habitação com queda de 0,75% enquanto o resultado nacional desse item foi positivo em 0,22%. Também contribuíram para a pequena oscilação de preços na capital paranaense: a retração de 0,46% em Vestuário (que teve elevação de 0,33% no País) e a redução média de 3,18% nos combustíveis (ao passo que a média brasileira foi -1,47%).

O maior índice regional foi registrado em Fortaleza (1,44%), seguido de Belém (1,31%), Recife (0,91%), Brasília (0,84%), São Paulo (0,66%), Belo Horizonte (0,64%), Salvador (0,62%), Rio de Janeiro (0,57%), Goiânia (0,52%) e Porto Alegre (0,41%). O IPCA mede a variação do custo de vida para famílias com renda mensal entre um e quarenta salários mínimos. É o balizador das metas de inflação do Banco Central.

INPC

No Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente às famílias com rendimento monetário entre um e oito salários mínimos, Curitiba também teve o menor índice em agosto: 0,40% – ante a alta nacional de 0,86%. Em julho, a média brasileira foi 1,15%. Com o resultado de agosto, o INPC acumulou 5,51% no ano, abaixo da taxa de 5,79% referente a igual período do ano passado. Nos últimos doze meses, o índice situou-se em 9,16%, perto do resultado dos doze meses imediatamente anteriores, 9,08%. A taxa mensal de agosto de 2001 foi 0,79%.

Fortaleza teve o maior índice regional (1,50%), vindo na seqüência Belém (1,38%), Recife (1,02%), Salvador (0,97%), Brasília (0,87%), Belo Horizonte (0,83%), São Paulo (0,81%), Rio de Janeiro (0,76%), Goiânia (0,62%) e Porto Alegre (0,55%). No acumulado do ano, Curitiba tem o terceiro menor INPC (5,25%).

Tarifas públicas tiveram deflação

Olavo Pesch

Os preços administrados por contrato e monitorados pelo governo diminuíram 1,50% em agosto. Apesar de apresentarem a terceira deflação do ano em Curitiba, as tarifas públicas acumulam alta de 7,51% no ano e 9,29% nos últimos doze meses. No mesmo período, o IPCA teve variação de 4,85% e 7,46% na capital paranaense. “A variação dos preços públicos em 2002 já é maior que o IPCA dos últimos doze meses. A tendência é chegar em dezembro com um valor bem acima”, destacou o presidente do Senge/PR, Rasca Rodrigues.

Em agosto, o custo dos serviços públicos para uma família curitibana foi de R$ 348,36 – contra R$ 353,66 em julho – conforme levantamento mensal divulgado ontem pelo Senge/PR em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). Apesar do aumento de 12,50% na carta simples, que passou de R$ 0,40 para R$ 0,80, foram registradas reduções de 15,73% no gás de cozinha (o botijão de 13 quilos passou de R$ 27,98 no final de julho para R$ 23,58 no final de agosto), de 1,52% na gasolina (o valor médio do litro caiu de R$ 1,641 para R$ 1,616) e de 2,81% no álcool (de R$ 0,782 para R$ 0,760).

Com preço médio de R$ 23,69, Curitiba vendia no mês passado o terceiro GLP mais barato do País entre dezesseis capitais pesquisadas pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). O produto variava de R$ 19,50 a R$ 30. Mas mesmo com a queda, as margens das distribuidoras do Paraná continuam altas, segundo a ANP. A margem bruta era de R$ 8,17, 59,8% maior que em Minas Gerais (R$ 5,11). “O produto chega com 200% de aumento da refinaria até a porta do consumidor doméstico”, citou Rodrigues. Em julho, segundo dados da ANP, a Petrobras recebia R$ 8,94 por bujão de 13 quilos. “As distribuidoras, que não precisam investir em tecnologia e produção, ganhavam R$ 8,17 para envasar e entregar o gás”, observou.

O Paraná apresentou o terceiro menor preço médio da gasolina em agosto entre os 27 estados brasileiros: R$ 1,712. Entre as dezesseis capitais pesquisadas pela ANP, Curitiba também teve o terceiro preço mais baixo (R$ 1,616), com variação de R$ 1,459 a R$ 1,980. Para encher um tanque de 50 litros, a diferença entre o menor e o maior valor foi de 35% (de R$ 72,95 para R$ 99). “A cada três abastecimentos no posto mais barato, você ganharia um de graça com o valor gasto no mais caro”, comparou o presidente do Senge/PR.

Setembro

Na primeira semana de setembro, foram verificados reajustes médios de 4,33% no preço da gasolina (de R$ 1,619 para R$ 1,686), de 6,97% no álcool e de 0,38% no diesel. “Se nada mais variar, a variação dos preços administrados nesse mês ficará em 0,80%”, disse o economista Cid Cordeiro, supervisor técnico do Dieese.

Peso

Do início do Plano Real (julho/94) até agosto de 2002, o peso dos produtos e serviços administrados e monitorados pelo governo no IPCA aumentou 86,81% na Região Metropolitana de Curitiba, passando de 14,7317 pontos percentuais para 27,5206. Entre os itens que ganharam mais peso, destaques para: IPTU (de 0,173 para 1,3287), gás de bujão (de 0,5879 para 1,1750), energia elétrica residencial (de 1,4843 para 3,5224) e telefone fixo (de 0,9662 para 3,0252).

Cai a venda de combustíveis

Olavo Pesch

Outro levantamento divulgado ontem pelo Senge/PR e Dieese, com base em informações das companhias distribuidoras, apontou a redução de 0,2% na venda de combustíveis no Paraná no primeiro semestre de 2002 em relação ao mesmo período de 2001 – de 3.161.334 para 3.155.385 metros cúbicos. No Brasil, o volume comercializado caiu 2,3%. O Paraná participa com 7,47% do total de combustíveis vendidos no País.

A venda de gasolina no Estado apresentou queda de 2,0%, enquanto o total nacional foi reduzido em 1,3%. “Esses dados refletem um pouco a performance da economia. Com o aumento de preço dos combustíveis e queda de renda da população brasileira (de 5% neste ano), as pessoas economizam no deslocamento, mesmo com a frota crescendo”, comenta o economista Cid Cordeiro, do Dieese.

No primeiro semestre do ano, a comercialização de GLP diminuiu 0,1% no Paraná, menos que o decréscimo nacional no período (-3,4%). Já a venda de óleo diesel teve incremento de 3,7% no Estado e aumento de 2,0% no País. Na análise do Dieese, o melhor resultado local é reflexo da boa safra.

A inflação da classe média

O índice de custo de vida (inflação) da classe média (renda familiar situada entre 10 e 40 salários mínimos) curitibana calculado pela FAE Business School no mês de agosto foi de 0,55%. Esse número se deve principalmente ao aumento de preços verificado no grupo Alimentos e Bebidas, o qual apresentou inflação de 1,7%. Dentro desse grupo, os panificados foram os produtos que mais apresentaram elevação em seus valores (6,9%), devido, principalmente, à alta de preços da farinha e dos ovos.

A segunda maior elevação no mês foi constatada no setor Transporte e Comunicação – 0,68% -, em função, especialmente, do aumento da tarifa do transporte coletivo. Entre os 341 itens pesquisados, em 190 foram constatados aumento de preços, em 132, queda, e 19 apresentaram preços estáveis.