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A atividade industrial cai pelo
segundo mês consecutivo.

A produção industrial brasileira registrou queda de 1,2% em fevereiro na comparação com janeiro, segundo dados divulgados ontem, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Este é o segundo mês consecutivo de retração da atividade industrial. Em janeiro, a produção havia recuado 0,6%.

O resultado de fevereiro representa também a maior queda na comparação contra o mês anterior desde junho de 2003, quando a produção recuou 1,5%. Em dezembro de 2003, a indústria já havia apresentado uma retração de igual magnitude, de 1,2%. Na comparação com fevereiro de 2004, entretanto, o nível de atividade ainda aponta crescimento, de 4,4%. Na avaliação do IBGE, os resultados mostram ?desaceleração clara? da indústria nos últimos meses. No primeiro bimestre deste ano, a produção industrial cresceu 5,2%.

No último trimestre do ano passado, a produção sustentava um ritmo de crescimento da ordem de 6%. Em fevereiro, a indústria costuma ser influenciada também pelo menor número de dias úteis em razão do Carnaval, mas o IBGE afirma que a despeito do fator sazonal os dados dos últimos meses confirmam a perda de fôlego.

O movimento de desaceleração na indústria coincide com o ciclo de aumento de juros promovido pelo Banco Central desde setembro. A taxa básica de juros passou de 16% ao ano para 19,25% ao ano neste período. Segundo o chefe da Coordenação da Indústria, Silvio Sales, o impacto da política monetária atingiu mais o setor de bens de capital.

O aumento de juros pode afetar tanto a aquisição de bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos), que dependem mais de crédito do que de renda, como a compra de máquinas e equipamentos, relacionadas a planos de investimentos do empresariado. A maior oferta de crédito com a consignação em folha de pagamento evitou que o efeito dos juros fosse mais visível na compra de bens duráveis.

Só bens duráveis teve desempenho positivo

Em fevereiro, o segmento de bens duráveis foi o único a apresentar desempenho positivo, com expansão de 11,8%. Segundo Sales, parte deste crescimento é resultado da queda acentuada verificada no mês anterior, de 5,1%. Além disso, a produção de automóveis, de celulares e de TVs em cores apresentaram forte crescimento no período.

Segundo Sales, a produção de máquinas e equipamentos e de matérias-primas e insumos declinou de forma mais clara desde o final do ano passado até fevereiro. ?É possível que isso já reflita algum impacto nas decisões de investimento de empresários frente à política de juros que se modificou de setembro do ano passado para cá?, disse.

Outro fator que influenciou o desempenho dos bens de capital foi a queda do investimento agrícola da ordem de 20% em razão da quebra de safra, de pressões de custo e dos juros. Além disso, há manutenção das taxas de crescimento do investimento em construção e transporte e desaceleração do ritmo de expansão de máquinas e equipamentos com fins industriais. No ano passado, eles cresceram 16,1%. Até fevereiro, eles acumulam expansão de 6,3% este ano.

Os bens intermediários, que representam a maior fatia da produção industrial, registraram queda de 1,2%, afetados principalmente pelo desempenho da atividade de refino de petróleo e produção de álcool, que teve retração de 3,1% em fevereiro.

Já os bens de consumo não-duráveis e semiduráveis (alimentos e roupas) registraram queda de 4,3%. Segundo o IBGE, este setor costuma registrar expansão de forma mais lenta e, apesar de acentuada, a queda significa uma acomodação após três meses consecutivos de expansão.

Na avaliação de Sales, o crescimento de 2,85% das vendas industriais divulgado anteontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) pode ser um indicativo de crescimento da produção no médio prazo.