As medidas anunciadas nesta terça-feira (3) pelo governo e que integram o chamado Plano Brasil Maior, com foco no aquecimento da economia e incentivo à indústria, foram recebidas com ressalvas por alguns setores da indústria paranaense, que há tempos amargam um encolhimento da atividade produtiva. Em contrapartida, o polo automotivo paranaense, que acumulou números exuberantes nos últimos anos, recebeu mais um empurrão do governo brasileiro.

No âmbito geral, o presidente das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, considerou que o pacote respondeu prontamente à revisão para baixo dos números do Banco Central para o crescimento da economia brasileiro, que passou de 3,23% para 3,2% em 2012. “Foi uma resposta rápida à crise e com a garantia da presidente Dilma Rousseff de priorizar a indústria nacional, o emprego e nível de renda do trabalhador”, apontou Campagnolo.

Os pilares do Plano Brasil Maior englobam ações sobre o câmbio, medidas tributárias como a desoneração da folha de pagamento, redução no custo do comércio exterior e de defesa comercial. Melhorias no acesso ao crédito via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), e condições mais favoráveis para a indústria automobilística nacional também integram o pacote. “O Paraná, que possui o terceiro polo automotivo, será altamente beneficiado com algumas medidas como a redução do IPI para os fornecedores que investirem em pesquisa e inovação”, apontou Campagnolo.

Em relação à folha de pagamento, foi anunciada a desoneração da alíquota de 20% do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em contrapartida, o empresariado terá que recolher aos cofres do governo de 1% a 2,5% do faturamento. Pelo Plano Brasil Maior, anunciado em agosto do ano passado, a alíquota era 1,5%, mas nem todos os setores aderiram. “Caindo para 1% dá para empatar, mas ainda não é um pacote relevante para tirar o vestuário do sufoco”, resumiu o empresário e coordenador do Conselho de Vesturário do Paraná, Marcelo Surek.

No caso do polo moveleiro paranaense, as medidas acabam agravando as diferenças entre as grandes empresas e as micro e pequenas. “A competitividade da grande maioria das indústrias, que são de pequeno porte, segue abalada, já que as medidas tributárias vão atingir quem está fora do Super Simples, ou seja, uma faixa de 10% a 20% das empresas”, apontou o coordenador setorial da Indústria Moveleira, Aurélio Sant’Anna.