Auditores fiscais da Receita Federal iniciaram ontem uma paralisação de 48 horas contra o projeto de reforma da Previdência aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal. Em Curitiba, o movimento contou com a adesão de 60% dos 240 fiscais, segundo informações do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal).

Pela manhã, houve panfletagem em frente ao prédio do Ministério da Fazenda, no centro da cidade, e à tarde, reunião para discutir a proposta de um Plano de Carreira para a categoria. Os técnicos da Receita também participaram do protesto. No Paraná há cerca de 350 técnicos, dos quais 100 em Curitiba. O Estado conta com aproximadamente 700 auditores.

A greve interrompeu o desembaraço aduaneiro no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Estação Aduaneira de Interior (Eadi), na Cidade Industrial de Curitiba, e no Porto de Paranaguá. No desembarque de passageiros de vôos internacionais, os fiscais não pararam, mas fizeram uma operação-padrão, aumentando a amostragem de mercadorias vistoriadas.

Em Foz do Iguaçu, onde os auditores atuam na fronteira com Paraguai (Ponte da Amizade) e Argentina (Ponte Tancredo Neves) e na aduana, não houve paralisação. O presidente da delegacia sindical do Unafisco na cidade, Leandro de Oliveira Paço, informou que a posição dos servidores locais contra a reforma da Previdência será definida somente na próxima semana.

Também na semana que vem, está prevista uma assembléia dos auditores fiscais para votar a possibilidade de greve por tempo indeterminado. Entre as críticas dos auditores à reforma da Previdência, o presidente da delegacia do Unafisco em Curitiba, Norberto Antunes Sampaio, cita: o fim da aposentadoria integral, o aumento da idade mínima e a taxação dos inativos.