Apesar do tombo da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nas últimas semanas, a captação líquida (aplicações menos resgates) dos fundos de ações no mês de agosto ficou positiva em R$ 312 milhões. Em toda a indústria de fundos, a captação ficou negativa em R$ 273 milhões, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira dos Bancos de Investimentos (Anbid) até o dia 22.

Segundo o vice-presidente da entidade, Marcelo Giufrida, o número é bastante confortável se comparado ao patrimônio do setor, acima de R$ 1 trilhão. Ele explica que, ao contrário de outras épocas, o que houve desta vez foi uma realocação dos recursos entre categorias de fundos. Enquanto os de renda fixa e multimercados registraram saídas de R$ 3,2 bilhões e R$ 2,6 bilhões, respectivamente, os fundos de curto prazo e os DI receberam R$ 1,3 bilhão e R$ 4,2 bilhões no período. "Os números indicam uma mudança no comportamento do investidor, que está menos volátil comparado há alguns anos", afirma Giufrida.

No caso dos fundos de ação, analistas garantem que muitos investidores aproveitaram a queda dos preços das ações na bolsa para estrear no mercado. Segundo levantamento feito pela Economática, na metade do mês, no auge da crise financeira, o preço das empresas listadas na Bovespa havia caído de 14,4 vezes o lucro médio para 12,5 vezes.