A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que o superávit da balança comercial deve cair 78,4% em 2010, para US$ 5,5 bilhões, ante o saldo de US$ 25,4 bilhões registrado no ano passado. De acordo com a entidade, as exportações devem subir de US$ 153 bilhões para US$ 177,8 bilhões este ano. Contudo, a recuperação do nível de atividade, que deve gerar uma evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de uma queda de 0,4% em 2009 para alta de 6% em 2010, levará a uma retomada veloz das importações, pois a entidade estima que elas subirão de US$ 127,6 bilhões em 2009 para US$ 172,3 bilhões neste ano, marca muito próxima dos US$ 173 bilhões registrados em 2008. Tal saldo em 2010 foi projetado com uma taxa de câmbio média de R$ 1,75 por dólar.

Na avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, é possível que a redução da apreciação do real que está ocorrendo nas últimas semanas possa até melhorar o saldo positivo da balança comercial este ano. “Porém, é muito incerto prever qual vai ser a cotação do real ante o dólar para os próximos dois meses”, comentou.

Outro fator que não deve incrementar de forma expressiva as exportações é a modesta recuperação da economia mundial. “O nível de atividade industrial do Estado foi afetado em boa parte porque a crise abalou o mundo e isso reduziu as nossas importações, sobretudo de manufaturados”, afirmou Francini.

Como a Fiesp estima que o PIB vai crescer 6% este ano, há um cenário favorável para a ampliação dos investimentos pelas empresas. De acordo com a entidade, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve subir 19,6% este ano e recuperar a queda de 10,2% registrada em 2009. Para a entidade, o Indicador do Nível de Atividade deve subir 13,5% este ano, recuperando a queda de 8,5% exibida no ano passado. “Há uma tendência de expansão dos investimentos. Mas nos preocupa o eventual ciclo de aumento dos juros pelo Banco Central.”

A Fiesp estima que o emprego industrial deve crescer 6,2% em São Paulo, em 2010, ante queda de 4,3% em 2009. A geração de postos de trabalho pelas fábricas em todo o Brasil deve contabilizar avanço de 5,3% em 2010, ante redução de 2,5% em 2009. Francini, contudo, ressalta que a geração de emprego industrial no Estado só deve retomar o patamar pré-crise, apurado em setembro de 2008, no mês de março de 2011, enquanto a recuperação para esta categoria de postos de trabalho em nível nacional deve ocorrer um pouco antes, em dezembro deste ano. “Quando a atividade desacelera, o empresário reaprende a administrar seu negócio com custos menores e aumento de produtividade. Portanto, a geração de empregos não é tão rápida quando o esperado.”