As duas principais fabricantes mundiais de aviões para vôos regionais, a brasileira Embraer e a canadense Bombardier, vêm trocando críticas ácidas e acusações de subsídios ilegais. Depois de se enfrentarem duas vezes na OMC (Organização Mundial de Comércio) nos últimos anos, com uma vitória para cada lado, as empresas agora têm usado a imprensa para trocar farpas.

Anteontem à noite, a Embraer divulgou nota em que afirma que a Bombardier ?busca justificar o injustificável, ou seja, a utilização de subsídios governamentais para contrapor-se à competitividade técnica superior de seus concorrentes, distorcendo de forma condenável os princípios e regras estabelecidos para o comércio internacional em bases justas e mutuamente aceitáveis e, desta forma, prejudicando o desenvolvimento econômico e social das nações atingidas?.

A dura afirmação responde a reportagem publicada no mesmo dia pelo jornal Valor em que o vice-presidente de assuntos públicos da Bombardier, John Paul Macdonald, rebate suspeitas da Embraer sobre a legalidade de um financiamento de US$ 700 milhões do governo canadense à empresa para o desenvolvimento de uma série de jatos com capacidade para 110 passageiros.

?Vamos produzir um avião que sairá do segmento regional para ter alcance continental e nenhum modelo da Embraer será capaz de fazer o mesmo?, disse o executivo ao Valor.

A Embraer rebateu: ?Há o temor quando a competição é apoiada em práticas comerciais injustas. Por que a Bombardier não obedece às regras como a Embraer??.

No início da semana, durante conferência com analistas de mercado e jornalistas, o vice-presidente executivo e de Relações com Mercado, Antônio Luis Pizarro, havia afirmado que a Embraer estava estudando a legalidade dos subsídios oferecidos pelo concorrente.