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Contêineres em Paranaguá: setores automotivo e de agronegócio
compram mais.

A redução do dólar em janeiro está estimulando os industriais paranaenses a repor os estoques de insumos e de reservas estratégicas. De acordo com o relatório divulgado ontem pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), e a Secretaria da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, as importações paranaenses cresceram 60,17% em relação ao mesmo mês de 2004.

?Em janeiro do ano passado, o dólar estava na faixa de três reais. Este ano estava abaixo de dois reais e setenta centavos, estimulando a importação de produtos para o agronegócio, setor automotivo e, especialmente, combustíveis. No entanto, o câmbio desvalorizado prejudica o setor de exportações?, analisa o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures. Segundo a pesquisa da Fiep, baseada nos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as exportações ficaram em US$ 537 milhões, contra US$ 507 milhões em janeiro de 2004. Com o aumento das importações, o superávit em 2005 caiu de US$ 258 milhões para US$ 138 milhões, em relação ao mesmo mês de 2004.

Em janeiro de 2005, o Paraná subiu da quinta posição, ocupada em 2004, para se tornar o terceiro estado que mais importou no Brasil, ficando atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. A maior compra foi de óleo bruto de petróleo, que representou US$ 90 milhões dos US$ 397 milhões. Essa compra fez com que a Nigéria se tornasse o maior exportador do Paraná em janeiro.

Automotivo e agronegócio

O setor automotivo também vem aproveitando a baixa do dólar e o aumento da exportação de autopeças. Em janeiro, as vendas de motores para automóveis subiram de US$ 10 milhões, em 2004, para US$ 27 milhões. Também cresceu a venda de bombas injetoras de combustíveis de US$ 5 milhões para US$ 15 milhões, em janeiro deste ano. A venda de chassis com motor a diesel saiu dos US$ 393 mil, no ano passado, para quase US$ 3,5 milhões.

Outro segmento que está aproveitando a queda do dólar é o agronegócio. A queda nos preços internacionais de adubos e fertilizantes fizeram com que o setor ampliasse as compras de US$ 476 mil, em janeiro de 2004, para US$ 3,347 milhões. Henrique Santos, da Fiep, explica que, como é possível fazer estoques, os produtores rurais estão acumulando o produto.

Exportação e superávit

A desvalorização do dólar ajudou a derrubar o superávit paranaense. A balança comercial do Estado fechou 46,49% negativa, com US$ 120 milhões a menos que o mesmo mês do ano passado, quando ficou em US$ 258 milhões. Com este resultado, o Paraná deixou a segunda colocação no ranking de superávit entre os estados brasileiros em 2004, ficando em sexto colocado.

O país que mais comprou produtos paranaenses em janeiro foram os Estados Unidos da América (EUA), importando US$ 89 milhões, 13, 44% a mais que o mesmo mês de 2004. Os norte-americanos importaram principalmente automóveis de 1.500 cilindradas, totalizando US$ 15 milhões. A Argentina ficou em segundo lugar e ampliou em 6,66% as compras de produtos paranaenses, subindo de US$ 33 milhões para mais de US$ 35 milhões.

A China, que foi o segundo parceiro comercial do Paraná no ano de 2004, ficou apenas na 11.ª posição, com queda de 49,55%, saindo de US$ 28 milhões, em janeiro do ano passado, para US$ 14 milhões no mesmo mês deste ano.