O volume de vendas reais do comércio varejista no Paraná caiu 2% na comparação com janeiro de 2002, segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado de 12 meses foi negativo em 0,79%. O desempenho do Estado, no entanto, foi superior aos números nacionais, que registraram queda de 4,86% no mês de janeiro e queda de 0,98% no acumulado. Já a variação nominal (receita bruta) ficou em 19,05% no Paraná em janeiro e 7,95% no acumulado, enquanto no Brasil o índice foi de 13,75% e 8,04%, respectivamente.

No Paraná, o setor que mais contribuiu para a queda de vendas foi o de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com impacto de 1,83 ponto percentual negativo. A variação, no entanto, foi bem maior: -4,05%, enquanto o índice nacional foi de -6,17%. O setor de tecidos, vestuários e calçados (com variação de -5,24%) vem em seguida, com impacto de 0,46 ponto percentual negativo. Demais artigos de uso pessoal e doméstico contribuíram com 0,35 ponto percentual negativo no desempenho de vendas. Já o segmento de móveis e eletrodomésticos contribuiu com 0,26 ponto percentual no total de vendas, e o setor de combustíveis e lubrificantes, com 0,38.

De acordo com o técnico do IBGE na área de comércio, economista Nilo Lopes de Macedo, o desempenho do Paraná foi bem superior ao nacional. No setor de combustíveis, por exemplo, o Paraná fechou o mês de janeiro com alta de 1,78% nas vendas em relação a janeiro de 2002, enquanto no Brasil o índice foi de 4,53% negativos. Além disso, o Estado fechou o mês com o maior acumulado em 12 meses (15,68%), contra os 4,86% do País.

No setor de móveis e eletrodomésticos, o Paraná também teve desempenho melhor: variação positiva de 3,07%, contra a variação negativa de 10,85% no âmbito nacional. Já no segmento tecidos, vestuários e calçados, o Estado ficou na contramão: queda de 5,24% nas vendas, contra a variação positiva de 0,16% registrada no País – única alta registrada em nível nacional. O desempenho do Paraná em demais artigos de uso pessoal e doméstico também foi pior: queda de 2,08% nas vendas contra 0,91% negativos do País.

Projeção era menor

Segundo o economista Nilo Lopes de Macedo, o índice de janeiro foi bem maior do que o esperado. “Janeiro praticamente repetiu os números de dezembro (-5,07%), mês com queda recorde em 2002”, comentou. De acordo com ele, os fatores que já vinham jogando o comércio para baixo -como juros altos, queda na renda e falta de emprego – foram agravados pelo recrudescimento da inflação. “A taxa de juros, que já era alta, voltou a acelerar, sinalizando o comércio a cobrar também taxas cada vez mais altas”, analisa. Mas ressalva: “Mesmo que a taxa não seja tão assustadora, já vem pressionando o setor de alimentos, que é o responsável por grande parte do orçamento de famílias de renda menor.”

Para fevereiro e março, Macedo acredita que os números se mantenham. “O quadro não deve mudar nada, porque a política econômica não mudou. A partir de abril, pode até aparecer um elemento novo, como o processo bélico entre os Estados Unidos e o Iraque.”