O Brasil está na terceira colocação no ranking dos países que mais têm dificuldade em encontrar profissionais qualificados para preencherem vagas disponíveis. A constatação é resultado de uma pesquisa realizada pela Manpower, empresa que atua na área de recursos humanos e que entrevistou 40 mil empregadores em 39 países. O índice de empresários brasileiros que dizem não conseguir achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho é de 57%, atrás apenas de Japão e Índia.

Estima-se que haja pelo menos 15 mil vagas aguardando mão de obra especializada no setor terceirizado, de acordo com a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Setor de Serviços da Câmara dos Deputados. Com esse panorama, nos últimos tempos tem se ampliado a gama de cursos oferecidos para treinar quem possa estar interessado nas vagas abertas – e que não são poucas.

Preocupado com esse quadro para os próximos anos e pensando na preparação para a Copa do Mundo, o governo federal tem apoiado iniciativas nos estados, principalmente pelo programa Bem Receber Copa. Mais do que suprir a demanda em 2014, essa falta de pessoal já é sentida diariamente nos principais setores de serviços, basta notar os anúncios de empregos nas mais diversas atividades espalhados pelo comércio.

Gerson Klaina/O Estado
Várias vagas foram abertas para qualificar a mão de obra nos setores de turismo e hotelaria em Curitiba.

Para melhorar essa situação, na região de Curitiba, qualificação para os setores de turismo e hotelaria já foi dada a mais de 10 mil pessoas nos últimos quatro anos, por meio de uma parceria entre o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Paraná (Seac-PR) e a Fundação de Asseio e Conservação do Estado (Facop). Foi montado um quarto de hotel para aulas práticas de limpeza e hospitalidade, um restaurante e uma padaria. “Além da necessidade de qualificação, o que vem acontecendo é que o mercado teve uma modificação muito grande, principalmente com o incremento na construção civil. Agora, a necessidade de fortalecer essa qualificação é muito maior, porque a dificuldade vem de dois pontos: não tem mão de obra e o que se tem não possui qualificação nenhuma”, diz o presidente do Seac-PR, Adonai Aires de Arruda.

Sem qualificação, os salários não costumam ser muito atrativos. “A pessoa fica rodando de um emprego a outro, sem estabilidade. Primeiro tem que ter essa conscientização da necessidade de qualificação”, afirma Arruda. Por outro lado, ele lembra que se pode construir uma carreira a partir da atividade escolhida. “É possível passar de servente a encarregada, depois para um cargo de supervisão, coordenação e ter um plano de carreira”.

Desenvolver novas aptidões pode incrementar o salário, reforça o diretor-superintendente da Facop, Pedro Paulo Guerreiro. “Existe uma grande competitividade. O mercado está aquecido, existe grande giro da questão monetária e aqueles que estiverem mais bem preparados podem ter mais sucesso, se tiverem iniciativa e desenvolverem o espírito empreendedor”, aconselha.

Mesmo com a oferta dessa modalidade de curso, a procura muitas vezes não corresponde às expectativas. Muitas turmas não preenchem todas as vagas. “Além do boom da construção civil, nosso segundo maior concorrente é o assistencialismo sem educação. Entendemos que é perfeitamente válido, mas temos que criar mecanismos para isso não seja uma constante”, defende Arruda.

Informação sobre os cursos

Os cursos oferecidos pela Facop são gratuitos, voltados a jovens e adultos. Pessoas comprovadamente desempregadas ou que façam parte do quadro de empresas de asseio e conservação podem participar das aulas. Os alunos também podem ganhar transporte até o local da formação.

Existe uma grande variação nos cursos oferecidos, que vão de quatro até 320 horas de duração. Os mais rápidos, que são de noções básicas, inclui estabelecer diferenças entre produtos de higiene, como manipular aparelhos da função ou sobre como limpar um computador por fora, para perder aquele medo que muitas pessoas têm de tocar no objeto e tirar fio da tomada ou estragar o funcionamento.

Durante a realização dos cursos são apresentadas vagas e alguns deles remuneram os alunos, como em alguns casos para o cargo de auxiliar-administrativo. Depois da conclusão do módulo, a Facop faz acompanhamento dos egressos e, caso o aluno não tenha se adaptado à função escolhida, pode voltar e fazer um novo curso.

Inscrições e informações sobre as capacitações podem ser encontradas no site oficial da Facop ou pelo telefone: (41) 3699-0090.