As discussões sobre a reforma tributária deveriam se concentrar em propostas para que seja criado um sistema mais claro e transparente, sem elevação da carga de impostos sobre a população. A avaliação foi feita hoje pelo gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

Segundo pesquisa da entidade, feita em conjunto com o Ibope, a maioria dos brasileiros reprova os serviços públicos do País, mas discorda da elevação dos tributos como alternativa para melhorar a prestação desses serviços.

“Há um consenso de que é preciso haver uma melhor distribuição dos recursos existentes, ao invés de aumentar os impostos. Trata-se de uma realocação de prioridades dentro dos orçamentos públicos”, disse o economista. “O que temos atualmente é o ‘Ingana’, como dizia o ex-ministro Delfim Neto: tributação da Inglaterra com a qualidade de Gana”, completou.

Além disso, o levantamento mostra que grande parte da população não possui informação suficiente sobre o valor dos impostos pagos. “Muitas vezes a tributação indireta, embutida no preço dos produtos, não é percebida pelo consumidor. A transparência sobre isso faria com que a população tivesse mais conhecimento sobre o peso dos tributos e assim pudesse cobrar serviços mais adequados”, acrescentou.

Castelo Branco lembrou que a CNI foi contra a continuidade da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) quando esta foi extinta, no fim de 2008. A entidade mantém sua posição. “Acreditamos que é preciso melhorar a gestão dos recursos públicos e a pesquisa mostra que a população brasileira tem a mesma percepção”, concluiu.