Curitiba segue nas primeiras posições quando o assunto é a elevação dos preços em 2010. Ontem foi a vez do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgar os números finais sobre a cesta básica.

Na variação mensal, o ritmo dos reajustes em Curitiba desacelerou e repercutiu em um aumento de 2,05% em dezembro, contra 3,06% de novembro. Porém, no ano, a cesta básica acumulou 15,16% de alta, tornando o preço final, de R$ 243,97, o quarto mais elevado entre as 17 capitais pesquisadas.

Com isso, o custo da ração alimentar essencial mínima para uma família curitibana (um casal e duas crianças) ficou em R$ 731,91, o que exige 1,44 salários mínimos.

Dentre os 13 produtos analisados, cinco apresentaram no ano aumento superior a 20%. No grupo de itens com ajustes desse porte, destaque para a carne (alta de 32,28%), feijão (alta de 29,17%), leite (alta de 20,89%), trigo (alta de 20,83%) e banana (alta de 20,92%).

“A valorização das cotações internacionais de diversos produtos, graças ao aumento do consumo nos países em desenvolvimento, o consequente crescimento das exportações, o mercado interno aquecido e os problemas climáticos, com estiagens em alguns pontos e excesso de chuva em outros, pressionaram os preços desses itens com reajustes expressivos”, explica o economista do Dieese-PR, Sandro Silva. “No caso da carne, a extinção das matrizes em 2009, devido aos prejuízos ocasionados pela crise, impactou diretamente na supervalorização do produto”, acrescentou.

De acordo com os cálculos do Dieese-PR, a carne respondeu por 80% do aumento da cesta básica curitibana ao longo do ano passado. “Sem a carne a alta teria ficado em 3%”.

Quanto ao aumento do trigo, a quebra de safra em vários países produtores contribuiu para a escalada dos preços. Contudo, na análise do economista, o desdobramento mais grave dessa situação fica com o pão.

“O valor do pão também foi pressionado, com alta de 12,48% no ano. Vale lembrar que o reajuste do pão veio antes do aumento no preço do trigo, que só passou a ficar mais caro em agosto. O grande problema nesse caso é que o recuo da matéria-prima não faz com que o preço do pão retorne aos patamares anteriores”, destaca.

Na outra ponta da tabela, os produtos da cesta básica que deram um refresco para o bolso do consumidor em Curitiba foram a batata, com queda de 33%, e o tomate que recuou 26%. Para 2011, o Dieese-PR prevê uma tendência de alta nos preços da cesta básica, mas em um ritmo menor.

“Em janeiro, é possível que tenhamos deflação, a primeira semana deste mês confirma essa expectativa. No ano, porém, os preços subirão gradativamente”, aposta Silva.