O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou nesta quinta-feira, 14, que a inauguração de duas embarcações da Transpetro no Estaleiro Atlântico Sul, no Complexo de Suape, em Ipojuca (PE), é mais uma prova “da enorme força” da Petrobras e destacou que a companhia não se deixou paralisar em meio às denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato. “Desde que assumi a função (de presidente da Petrobras), esse tem sido o meu maior compromisso: deixar claro a toda a sociedade brasileira que a Petrobras sairá mais saudável e mais forte deste momento que estamos enfrentando”, disse.

Bendine comentou a conjuntura internacional do setor e afirmou que a “drástica redução” do preço do petróleo tem levado empresas de todo o mundo a revisarem seus planos de negócios e redefinir prioridades. “Para nós, aponta numa única direção, a busca incessante por eficiência”, afirmou.

O presidente da estatal ressaltou ainda que melhores números de produção não terão resultado sem ação para aumentar a competitividade da empresa. Ele destacou que, em 2014, houve um avanço de 5% sobre o total de petróleo produzido em 2013 e projetou aumentos para os campos do pré-sal em 2015. “Só neste ano, temos crescimento previsto de 70% na produção do pré-sal”, pontuou Bendine.

Bendine classificou a construção dos dois navios como “um bom negócio” para a Petrobras. “No médio prazo, ter uma frota moderna para quando a produção do pré-sal for suficiente para ser exportada será fundamental”, afirmou.

O executivo destacou o benefício de ter uma frota da Transpetro fazendo o transporte do petróleo produzido pela estatal. “Com o uso dos oito navios (já em operação), US$ 35 milhões foram economizados anualmente e, com esses novos navios, haverá economia de US$ 21 milhões neste ano”, afirmou.

Ele destacou ainda que os recursos que deixam de ser gastos com aluguéis de embarcações serão reinvestidos na companhia. “Com navios próprios, todo o recurso está sendo reinvestido na empresa, gerando mais valor para acionistas e para todos os brasileiros”, afirmou.

Bendine também fez referência às denúncias de corrupção reveladas pela operação Lava Jato. “Não permitiremos que erros de quem queria lesar o patrimônio da Petrobras se repitam”, disse. “Vamos virar essa página com olhos para o futuro, com a retomada de geração de valor para os acionistas, pequeno ou grande”, disse.

Sindicato

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, aproveitou a cerimônia de inauguração dos navios petroleiros para cobrar o governo sobre regras de conteúdo local e a continuidade do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).

Dirigindo-se ao chefe da pasta de Minas e Energia, Eduardo Braga, o presidente do Sinaval mostrou preocupação com recentes declarações do ministro sobre possíveis flexibilizações nas regras de conteúdo local no setor petroleiro. “Não fala em (mudança no) conteúdo local que o senhor me mata”, afirmou. Já para Bendine, ele pediu mais obras locais e menos preocupação com o fretamento das operações na Ásia. “Não nos deixe órfãos, não esqueça do Promef 3”, acrescentou.

Ele reclamou da comparação injusta com estaleiros asiáticos, que têm décadas de experiência e recebem pesados subsídios governamentais, enquanto no Brasil se trabalha com incentivos tributários. “Lá, quase 70% da produção é feita fora, por empresas satélites”, apontou.

Ariovaldo também aproveitou para pressionar a presidente Dilma Rousseff a melhorar as condições de financiamento para a indústria naval. “Vamos levar às discussões com o fundo da Marinha Mercante o pedido para que os empreendimentos de estaleiros tenham as mesmas condições do Minha Casa Minha Vida, com 30 anos para pagar, e não mais 20 anos”, afirmou. E ainda questionou: “a senhora ouviu presidente? Eu vou bater lá na sua porta!”.