Três das oito testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público (MP) para tentar incriminar em juízo Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, acabaram beneficiando o traficante. Ele é acusado de assassinar quatro presos na penitenciária carioca de Bangu 1, em setembro de 2002. Os depoimentos foram prestados nesta segunda-feira (14), perante o juiz da 2ª Vara Criminal de Bangu, onde corre o processo.

O próprio promotor do caso, Horácio Afonso da Fonseca, reconheceu que as testemunhas ouvidas "nada trouxeram no sentido de provar a participação de Beira-Mar na morte dos quatro presos". O traficante chegou de manhã de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em um avião da Polícia Federal (PF), apenas para ouvir o depoimento dos agentes penitenciários, Alexandre Vacário e Josemar Olegário de Lima, e do preso Renato Gabriel, o Paulistinha.

Vacário foi feito refém no dia da rebelião em que os quatro traficantes da facção Amigos dos Amigos (ADA) foram assassinados. Porém, ele disse não ter visto Beira-Mar entre os rebelados e testemunhou que o traficante serviu de interlocutor junto aos guardas, para por fim ao motim. Os outros dois disseram nada terem visto.

Entre os mortos no crime está Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, líder da ADA, àquela época associada ao Terceiro Comando (TC). Além de Uê, que teve o corpo queimado, morreram seus dois cunhados, Carlos Alberto Costa, o Robertinho do Adeus e Wanderlei Soares, o Orelha, e o preso Elpídio Rodrigues Sabino, o Pidi. Beira-Mar foi considerado o chefe da facção rival Comando Vermelho.