O Banco Central confirmou nesta quinta-feira, 29, que teve prejuízo de R$ 38,599 bilhões com operações de swap cambial em setembro pelo resultado caixa e de R$ 28,523 bilhões pelo de competência, conforme antecipou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, em 7 de outubro. Pelo conceito de competência, o cálculo inclui ganhos e perdas ocorridos no mês, independentemente da data de sua liquidação financeira, que ocorre no dia útil seguinte.

Também conforme já havia registrado o Broadcast, este é o maior volume mensal de perdas da instituição com esse tipo de operação desde que começou a usar a ferramenta, em 2002. Em setembro, o dólar registrou alta de 9,39%. Com esses resultados, o rombo do BC com essas operações ultrapassa a marca de R$ 100 bilhões no ano pela contabilização caixa (R$ 112,865 bilhões até o dia 23 de outubro).

Levando-se em conta apenas o resultado caixa, a autarquia amargou em 2015 perdas com essas operações nos meses de fevereiro (R$ 27,292 bilhões), março (R$ 34,512 bilhões), maio (R$ 22,065 bilhões), julho (R$ 23,906 bilhões), agosto (R$ 17,226 bilhões). Além de manter as rolagens de swap em 100%, o BC decidiu voltar a atuar neste mercado com recursos novos. Desde o dia 23 de setembro, foram cinco operações do tipo, com oferta total no valor equivalente a US$ 5 bilhões. Na liquidação, o volume comercializado efetivamente foi de US$ 4,131 bilhões.

O BC preferiu utilizar como primeira ferramenta para conter a alta do dólar o leilão de linha e o de swaps, e não atuar diretamente no mercado à vista, como defende parte do mercado financeiro. A última vez em que se desfez de parte das reservas internacionais foi em 3 de fevereiro de 2009. Ao longo de 2014, o BC teve perdas de R$ 17,329 bilhões com a oferta desse hedge ao mercado. Em 2013, o BC acabou registrando prejuízo com os leilões de swap da ordem de R$ 1,315 bilhão. Já em 2012, entraram para o caixa da autarquia R$ 1,098 bilhão.

Reservas

Em contrapartida a esses prejuízos, causados efetivamente pela alta do dólar, o BC obteve uma rentabilidade com a administração das reservas internacionais de R$ 124,726 bilhões em setembro, a maior do ano. Entram nesse cálculo ganhos e perdas com a correção cambial, a marcação a mercado e os juros. No ano até o mês passado, o lucro da instituição com as reservas é de R$ 492,873 bilhões. O resultado líquido das reservas, que é a rentabilidade menos o custo de captação, ficou positivo em R$ 95,118 bilhões em setembro e de R$ 336,366 bilhões no ano.

Com isso, para o BC, o resultado das operações cambiais ficou no azul no mês passado, num total de R$ 66,595 bilhões. No ano, essa soma está positiva em R$ 225,315 bilhões. O BC sempre destaca que, tanto em relação às operações de swap cambial quanto à administração das reservas internacionais, a autarquia não visa o lucro, mas fornecer hegde ao mercado em tempos de volatilidade e manter um colchão de liquidez para momentos de crise.