O Banco do Brasil recebeu ontem do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) autorização para operar uma instituição financeira plena nos Estados Unidos. O pedido havia sido feito há cerca de um ano. Com o aval, o BB espera concluir as negociações para adquirir um banco na maior economia do mundo. O vice-presidente de negócios internacionais da instituição federal, Allan Simões Toledo, acredita que a primeira aquisição pode ser anunciada nos próximos meses, até o meio do ano. O objetivo é atender trabalhadores e empresas brasileiros.

A autorização era o que faltava para que o BB ingresse no mercado norte-americano. “Isso permite acelerar a análise de compra de bancos. Atualmente, existem 700 instituições à venda nos EUA”, explica Toledo. A intenção do BB é aproveitar a oportunidade gerada pela crise, que abalou a saúde financeira de muitas instituições e, principalmente, reduziu o preço de venda dessas companhias. As conversas com bancos locais acontecem há alguns meses e, agora, devem entrar na reta final.

O plano é atender regiões com grande concentração de brasileiros, como Nova York, Nova Jersey, Boston e Flórida. “Não precisamos adquirir um único banco que tenha presença nesses locais. Pode ser uma costura de várias instituições regionais”, explica o vice-presidente. Há 1,4 milhão de brasileiros vivendo nos EUA, país com a maior concentração de brasileiros no exterior. Com a compra, há expectativa em atender trabalhadores de outros países latinos, principalmente sul-americanos.

A intenção é repetir o sucesso obtido no Japão. No país asiático, o BB conta com sete agências e 140 mil contas, sendo que cerca de 15% das contas são de trabalhadores latinos, como os peruanos. Após a compra de um banco de varejo, o BB deve criar uma holding nos EUA para agregar todas as subsidiárias naquele país. Atualmente, o banco federal já opera duas agências – em Nova York e Miami -, uma empresa de transferências internacionais, uma corretora e um escritório comercial. A autorização para o funcionamento dessas agências é mais restrito do que a obtida ontem.

A carta com o aval do Fed foi muito comemorada na diretoria do banco federal. No documento enviado a Brasília, as autoridades norte-americanas afirmam que o BB é um banco “bem capitalizado, bem administrado e bem supervisionado”. Outro motivo de comemoração é que não há registros de que o Fed tenha dado essa autorização para nenhuma outra instituição financeira estatal do mundo. O vice-presidente do BB informou também que as negociações para a compra do argentino Banco Patagônia continuam e “é possível termos novidades nos próximos meses”.