O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, abriu ontem o VII Fórum Jurídico de Instituições Financeiras, em Brasília, dando um recado aos bancos: o Sistema Financeiro tem que “se preparar para créditos mais longos, a custos menores e para expansão do volume disponível, o que é uma virada histórica na estrutura do Sistema Financeiro brasileiro. É o grande desafio do sistema”. O VII Fórum é uma promoção da Asbace – Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais.

Para o cidadão, Meirelles lembrou que o BC está tomando providências para melhorar a eficiência da concessão de crédito. O BC está agindo junto ao mercado financeiro de modo a estimular o aumento do volume de recursos, melhorar o acesso e reduzir o custo da concessão de crédito. Citou a criação de correspondentes bancários; o empréstimo com desconto em folha de pagamento, “que resolveu o problema de garantia por parte dos assalariados”; e a maior abertura às operações das cooperativas de crédito.

As condições para a melhoria da oferta de crédito, que contribuirão para a retomada do crescimento da economia, estão postas, disse, citando que o “Brasil saiu da crise (do ano passado, em que perdeu 5% do PIB em linhas externas) com crescimento positivo e conseguiu aprovar reformas fundamentais, solidificar o processo de superávits primários consistentes e trazer a inflação para a trajetória de metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional”. Meirelles disse, também, que as taxas de juros “caem de maneira regular, especialmente as taxas de médio prazo, que caem de forma consistente”.

Em sua palestra, Meirel-les justificou a ação do BC em se concentrar no controle da inflação, lembrando que, no Brasil, o controle da taxa de câmbio como forma de reter a inflação fracassou: “Esse sistema fracassou em função de gerar crises cambiais”. Relatou que no passado “o BC tinha metas incompatíveis a cumprir”, como metas de inflação, de câmbio, de crédito. Para ele, “o BC deve ter apenas uma meta, a do controle da inflação”, porque na área monetária conta com apenas um instrumento de política monetária. “Bancos Centrais de sucesso têm apenas uma meta, um objetivo central”, afirmou.

Segundo Meirelles, três motivos gerais levaram os bancos estrangeiros a reduzir participação no Brasil, como verificado no primeiro semestre de 2003: a elevação da taxa do risco-País em 2002; o alto grau de competitividade dos bancos nacionais e o redirecionamento estratégico, em função de muitos de esses bancos internacionais terem se adaptado à atuação globalizada.

Meirelles também comentou que algumas ações vão colaborar para o crescimento sustentado da economia no ano que vem, como a cédula de crédito bancário, que vai permitir aos bancos emitirem títulos com lastro em operações de crédito, e a Lei de Falências.