Em meio a um bombardeio de críticas, o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) decidiu ontem ceder e reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira para 16,25% ao ano, o menor patamar desde abril de 2001. A decisão foi por seis votos a três. A decisão surpreendeu o mercado, que esperava a manutenção dos juros em 16,5% e o retorno à trajetória de quedas apenas em abril. No entanto, o corte agrada a empresários, sindicalistas e até mesmo a membros do governo, que podem ganhar dos críticos um período de trégua.

“Tendo em vista indicações recentes de redução do risco de desvio da inflação em relação às metas, o Copom decidiu, por seis votos a três, reduzir a taxa Selic para 16,25% ao ano, sem viés”, divulgou o Banco Central.

Nas últimas semanas, as pressões para o Copom baixar os juros foram tão intensas que o deputado Waldemar Costa Neto (SP), presidente do PL, um dos mais importantes partidos da base aliada do governo, chegou a defender abertamente a demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

A política econômica passou a dividir com o caso Waldomiro Diniz o foco das críticas ao governo Lula no final do mês passado, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a economia brasileira havia encolhido 0,2% em 2003.

De lá para cá, até o PT divulgou documento defendendo mudanças na economia. Além disso, nas últimas semanas diversos índices de inflação mostraram o recuo da inflação em fevereiro e pequenas pressões sobre os preços em março. Por isso, haveria espaço para o corte de juros.

A decisão do Copom é particularmente positiva para Palocci, que na última sexta-feira acabou pela primeira vez envolvido no caso Waldomiro, juntamente com o ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Em depoimento à Polícia Federal, funcionários da Gtech, empresa que presta serviços de loteria para a Caixa Econômica Federal, disseram que Waldomiro, o ex-assessor de Dirceu flagrado pedindo propina, teria tentado beneficiar Rogério Tadeu Buratti, que foi assessor de Palocci quando o ministro era prefeito de Ribeirão Preto (SP). Palocci não quis comentar as denúncias.

Por último, a decisão do Copom mostra que o BC poderá ser mais flexível nos próximos meses em relação ao cumprimento da meta de inflação de 5,5% neste ano. A meta tem uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo – ou seja, podendo chegar a 8% – mas até agora o BC sinalizava que buscaria seu centro.

A ata com todas as explicações do BC sobre a reunião de ontem será divulgada na quinta-feira da próxima semana. O Copom só poderá voltar a mexer nos juros na reunião dos dias 13 e 14 de abril.