O presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, acredita que o setor de distribuição ainda necessitará de recursos adicionais para fazer frente ao problema originado na exposição involuntária dessas empresas. Sem projetar valores, o executivo lembrou que a situação é mais grave para as empresas cujos reajustes tarifários ainda não foram implementados em 2014.

“A Eletropaulo acabou de ter um reajuste, então a questão do consumo de energia já está melhor refletida. A defasagem hoje, se houver alguma, é bastante reduzida. Mas aquelas distribuidoras que ainda não tiveram reajuste, obviamente têm uma defasagem que precisa ser considerada”, salientou o executivo.

O governo federal providenciou um socorro de R$ 11,2 bilhões às distribuidoras para compensar os problemas enfrentados pelo setor a partir de uma combinação de fatores. Entre eles está a falta de chuvas e consequente necessidade de acionamento das térmicas e o atraso de projetos cujo início de operação deveria ocorrer em 2013 e 2014. Esse recurso foi utilizado até o mês passado e, para julho, é provável que as empresas necessitem de um aporte adicional.

Rating.

Além das questões setoriais que afetam os resultados das distribuidoras, o setor também foi vitimado pelas margens menos atrativas estabelecidas a partir do 3º ciclo de renovação tarifária. Esta é a razão, segundo a AES Eletropaulo, para a decisão da agência de classificação de riscos Fitch de rebaixar o rating da companhia para BB.

“O risco regulatório aumentou e o terceiro ciclo veio bastante adverso. Com isso eles fizeram o downgrade e colocaram (a empresa) em perspectiva estável aguardando o 4º ciclo”, explica o diretor financeiro da companhia, Gustavo Pimenta. “Se o 4º ciclo vier desfavorável, teremos desafios adicionais. Mas acreditamos que não será desfavorável, dado o que temos observado”, complementa. Caso a projeção se confirme, o executivo acredita que as agências de classificação de riscos revisarão novamente o rating das empresas do setor, desta vez para cima.

Hidrologia.

Além do 4º ciclo de revisão tarifária, outro tema foco de atenção para as distribuidoras é a situação hidrológica, não apenas para este ano como também para 2015. “Acompanhamos o quadro hidrológico de forma dinâmica. A estação chuvosa se inicia em novembro, então vamos aguardar para ver o que vai acontecer em relação à recuperação dos reservatórios. Ainda é prematuro fazer certas considerações”, enfatizou Britaldo Soares.