São Paulo – A derrubada da MP do Bem vai comprometer investimentos nacionais e estrangeiros no Brasil, inclusive da Vale do Rio Doce, de acordo com o presidente da companhia, Roger Agnelli. Segundo ele, todos os projetos que se destinam à exportação serão prejudicados, uma vez que não têm como compensar crédito dos impostos pagos durante a construção. "Ou seja, antes de se produzir já está pagando impostos. Isso é perverso", desabafou.

O executivo disse que para que esses projetos – muitos deles deveriam receber aplicações já no ano que vem – não sejam prejudicados, o governo precisa agir rapidamente. E o fato de o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, não ter viajado na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a alguns países da Europa e Rússia pode mostrar disposição em se encontrar alguma alternativa.

Para o executivo, a solução precisa ser encontrada até o final do ano para viabilizar os investimentos que podem sair do papel a partir de 2006, mas que vão aguardar uma definição sobre o fim da desoneração tributária. Além de projetos da própria companhia, como uma parceria com a empresa chinesa Chalco, na área de alumina, assinado em maio de 2004, outro empreendimento que pode ser afetado é o da siderúrgica do Maranhão, que envolve empresas internacionais.

Até os planos que já estão em andamento, como o da Companhia Siderúrgica do Atlântico – projeto da Vale com a empresa alemã Thyssenkrupp -, podem ser atingidos pela decisão de não se prorrogar a MP.