No próximo sábado, pela primeira vez um presidente terá um encontro com a
comunidade que, em menos de duas décadas, já é a terceira maior entre os
brasileiros no exterior ? só perde para Estados Unidos e Paraguai. Em Nagoya, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversará com representantes dos
dekassegui, ou burajirujin, como são conhecidos no Japão os mais
de 270 mil brasileiros que vivem hoje no país.

Em menos de duas décadas,
o número de imigrantes brasileiros no Japão já superou o total de japoneses que
se transferiram para o Brasil em quase um século. Dados do governo japonês
indicam que 274,7 mil brasileiros já viviam no país no fim de 2003. Se incluídos
os imigrantes com dupla nacionalidade, esse número fica ainda maior. Desde 1908,
considerado marco inicial desse movimento migratório em direção ao Brasil,
vieram para cá cerca de 250 mil pessoas.

Segundo o livro Brasileiros no
Japão ? O Elo Humano das Relações Exteriores, de Maria Edileuza Fontenelle Reis,
foi em 1985 que apareceram em jornais da comunidade japonesa no Brasil os
primeiros anúncios recrutando imigrantes para trabalhar no país natal. Era uma
tentativa das indústrias japonesas de solucionar o problema da falta de mão de
obra ocasionado pela rápida expansão que a economia do país registrava na época.
Ao mesmo tempo, adotar o critério de descendência permitiu aos japoneses afastar
a pressão da imigração de outros países asiáticos em situação de superpopulação
e economias menos dinâmicas na época, como Filipinas, Coréia ou
China.

Levar para o Japão os isseis (imigrantes nascidos lá) mostrou-se
insuficiente e, em seguida, os japoneses alteraram suas leis para permitir a
concessão de vistos temporários sem restrição à ocupação profissional de nisseis
e sanseis (respectivamente, filhos e netos de imigrantes), além de seus
cônjuges.

Os brasileiros integraram-se em serviços industriais que
exigiam baixa qualificação, mas com uma remuneração que ainda hoje supera a
média salarial até mesmo de trabalhadores com nível superior no Brasil. Mesmo
com a desaceleração do crescimento japonês e a conseqüente redução geral da
demanda por mão de obra, ainda hoje, um brasileiro que tenha apenas o 1º grau
completo e inicie carreira aos 18 anos nas fábricas japonesas consegue
remuneração superior a US$ 2 mil.

Os brasileiros emigrados para o Japão
passaram a ser conhecidos como dekasseguis, um neologismo japonês que indica
quem trabalha longe de casa de forma temporária, para obter poupança e sustento
para a família.