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Curitiba e Região

Chacina

Traficantes provocam terror no Uberaba

Bando de encapuzados matou oito inocentes na invasão Icaraí

  • Por Redação, Márcio Barros E Giselle Ulbrich

Uma vingança tomou proporções inacreditáveis na noite de sábado, na conhecida e violenta invasão Icaraí, Uberaba. Por volta das 22h30, oito inocentes – incluindo uma mulher e seu bebê de 5 meses – foram mortos a tiros por traficantes que disputam o poder na região. Outras duas pessoas também foram feridas: uma baleada e outra atropelada pelos marginais.

Revoltado com a morte de seu sobrinho, na semana passada, e numa clara demonstração de poder, o traficante tido como o “chefe” do bairro ordenou que seus comparsas matassem todos que estivessem nas ruas da invasão durante a noite.

Apesar da polícia informar desconhecer o “toque de recolher” imposto pelos bandidos horas antes da matança, moradores afirmaram que um carro de som passou pelo bairro durante a tarde e ordenou que ninguém permanecesse nas ruas após às 22h. Quem desobedecesse seria morto. E a ameaça foi cumprida num claro desafio à segurança pública.

Fuzilaria

Os assassinatos ocorreram em quatro locais. Não houve economia de munição e ficaram espalhadas pelas ruas centenas de cápsulas e projéteis de carabina calibre ponto 30, pistolas nove milímetros, 380 e ponto 40.

Todas armas de uso restrito ou proibido no País. Os mortos e feridos nada tinham a ver com a disputa territorial dos bandidos. Nilza Ribeiro dos Santos, 29 anos, saía do culto de uma igreja evangélica junto com o marido e o filho, Mateus Alves da Silva, de 5 meses.

Estavam dentro do carro da família, voltando para casa pela Rua Jorge Luiz Freygang, quando foram surpreendidos. O menino, que estava na cadeirinha de bebê presa no banco de trás, levou um tiro nas costas. Foi socorrido por moradores e levado até o Pronto Atendimento do Cajuru, mas não resistiu. Nilza morreu na hora.

Mais vítimas

Moisés Pereira Silva, 28, e Everaldo dos Santos Silva, 25, estavam do lado de fora de casa, arrumando o carro para sair para uma pescaria, quando foram fuzilados. Caíram ao lado do veículo, na Rua Helena Cracreri Piekarski, esquina com a Rua Ivo Tonetti.

O adolescente Marcos Aurélio Mateus de Lima, 17 anos, que já havia sido ferido com um tiro na perna, na semana passada, andava na rua quando percebeu o tiroteio.

Não conseguiu correr por causa do ferimento e também foi assassinado. Os irmãos Jancarlo da Silva, 20, e Jeferson Carvalho da Silva, 25, e o amigo deles Valdir Francisco dos Santos, 19, nem tiveram chance de correr.

Foram alcançados e executados no meio da rua. Os outros dois feridos – um baleado e outro atropelado, que não terão os nomes divulgados por questão de segurança – deverão ser ouvidos tão logo se recuperem.

Ontem à tarde, na Delegacia de Homicídios, o titular Hamilton da Paz reuniu a imprensa para informar que o mandante e os seis executores do crime já estão identificados.

Eles usaram três veículos para praticar a chacina: uma Parati, um Fiesta e um Santana. Os seis marginais estavam encapuzados e, conforme indicaram os projéteis encontrados pelas ruas, muito bem armados.

Fábio Alexandre
Moisés e Everaldo se preparavam para uma pescaria.

Faltam denúncias

Giselle Ulbrich

Na coletiva de ontem, autoridades do setor de segurança reclamaram da falta de denúncias por parte dos moradores da invasão Icaraí, para que possa ser dado efetivo combate ao tráfico de drogas, embora o local seja notório pela violência e seguidos assassinatos.

De acordo com o coronel Jorge Costa Filho, do Comando do Policiamento da Capital, a Polícia Militar possui o telefone 181, o Narcodenúncia, para, que a população o utilize anonimamente.”Curitiba soma 30 mil ligações ao Narcodenúncia, desde o início do ano, mas só recebemos uma ligação referente ao bairro Uberaba”, lamentou.

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