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Curitiba e Região

Literário

Santa Casa de Misericórdia completa 134 anos

Quando o hospital foi inaugurado, a capital paranaense tinha cerca de 20 mil habitantes

  • Por Miguel Angelo Manasses E Franceslly Catozzo

Dia quente aquele 22 de maio de 1880. Cercada por líderes religiosos e imperiais, a capela parecia pequena para a grande inauguração do primeiro hospital de Curitiba.

Era necessária essa construção, já que o modo de vida da época estava movimentando um número cada vez maior de pessoas que largavam suas vidas nos campos para se urbanizarem. Naquele ano, a cidade estava com cerca de 20 mil habitantes e, por obséquio, querida pós-modernidade, possuía bem mais araucárias.

A arquitetura com influências neogóticas agradou Teresa Cristina, que não poderia deixar de acompanhar Dom Pedro II em tão honrosa cerimônia. A imperatriz do Brasil descreveu a bonita edificação como “nobre, mas muito longe do Centro”, já que era um esforço e tanto sentar em sua carruagem e ser puxada pelo longo caminho até a Igreja do Rosário, no Largo da Ordem.

Entretanto, 134 anos depois, a cidade cresceu e a distância entre o hospital e o Centro Histórico pareceu ter diminuído, apesar de nenhum deles ter saído do lugar.

Entre arranjos e “puxadinhos”, atualmente o prédio está lá, se misturando à corriqueira imagem que nasceu com as grandes capitais. Em frente à praça Rui Barbosa, o hospital sobrevive como uma das três construções mais antigas dos 321 anos de Curitiba.

Quem passa pelas ruas André de Barros, Comendador Roseira ou José Loureiro pode nem perceber, mas está vivenciando um pouco da história da Santa Casa de Misericórdia.

Os três foram grandes nomes dentro do hospital, passando pelo cargo de provedor, um dos mais altos desde aquela época. Se seus nomes estão nas ruas, seus rostos estão pendurados em quadros do salão mais nobre do edifício.

Em 2003, Fidelício Thomaz de Souza teve que ser internado nas dependências da Santa Casa e passou por três pontes de safena. Apesar das cirurgias serem lembradas nas marcas pelo corpo, o aposentado não se esquece do bom atendimento da época. “Levo uma vida normal desde então”. 

O mesmo senhor diz não ter nenhuma reclamação sobre o local, mas seu colega da unidade 37 discorda em meio a tosses e risos: “Hoje a comida tá que tá, mas tem dia que Deus me livre”.

11 anos depois, Fidelício voltou a ser internado, mas desta vez, a Santa Casa também estava passando por tratamento. A parte mais histórica da construção deixou de lado o bisturi para começar uma cirurgia igualmente minuciosa nas paredes e móveis do memorável hospital.

Já a capela, aquela lá do começo da história, está passando por uma restauração, que tem o objetivo de mostrar a seus visitantes um pouco do que foi admirado pela imperatriz Teresa Cristina.

Histórias da Santa Casa

O sol quente de Mandirituba, o trabalho na roça e o tempo, deixaram marcada a pele de Celso Moreira, 55 anos. O homem de sorriso largo e olhar profundo fala à vontade, como quem conversa com um amigo na sala de estar.

Dor nas costas. Queixa comum para quem trabalha no pesado, queixa que ele estava acostumado a ouvir dos colegas, queixa que aparentemente não precisava de atenção. “Eu pensava que era da coluna, fiz raio-x, mas não era”, desabafa o paciente que descobriu que a causa da dor era um tumor no rim.

O medo do diagnóstico fez Celso resistir ao tratamento, mas o apoio de amigos e do afilhado deu coragem para enfrentar a doença. “No domingo eu fui na Igreja, terminei a reza, voltei para casa, almocei e decidi fazer o exame. O médico disse que se encontrasse alguma coisa ligava na segunda-feira. Segunda de noite ele ligou falando que eu teria que vir me internar em Curitiba” conta o lavrador, que veio sozinho para a capital. Agora, ele aguarda a realização de sua cirurgia, ansioso para que possa “voltar para seu pedacinho de terra”.

Por: Everton Lima                              &nb,sp;                                        

O que você faria se lhe fosse dado pouco tempo de vida? Como reagiria? Como continuaria vivendo? Essa é a história que conta o aposentado Everaldo Cabral, de 56 anos.

Curitibano, pai de dois filhos e apaixonado pelo Atlético, ele recebeu o diagnóstico que teria só mais um ano de vida por causa de um problema cardíaco. O fato é: isso ocorreu há 26 anos. “Na época que eu tive esse problema, o médico falou que não tinha como fazer cirurgia, daí foi indo e eu fui vivendo”.

Ele conta que na época perdeu toda a esperança em viver. “Na época eles acharam que não tinha relação com problemas cardíacos”. Everaldo está na Santa Casa devido a alguns desmaios que ocorreram no mês de janeiro desse ano, aguardando uma cirurgia para abrir a válvula que bombeia o sangue para o coração e conta que está sendo muito bem atendido: “Aqui é tranquilo, os enfermeiros e enfermeiras são atenciosos, estou feliz aqui”.

Por: Alex Luciano do Prado

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