Há 18 meses instalada na Linha Verde, entre os bairros Bairro Alto e Bacacheri, as estação-tubo Fagundes Varela ainda não embarcou ou desembarcou nenhum passageiro. A reportagem da Tribuna foi duas vezes nesta semana à estação e encontrou sujeira e vandalismo no local. Restos de comida e bebida, cheiro desagradável e até peças intimas fazem parte do cenário de abandono.

Prometida inicialmente pelo prefeito Rafael Greca (DEM) para março de 2019, a primeira linha de ônibus da Linha Verde, que ligaria o bairro Fanny à estação Fagundes Varela, teve a data de inauguração adiada duas vezes ano passado. Como as obras na Linha Verde seguem paradas, ao invés de receber passageiros, a estação-tubo abriga mendigos.

O trecho da Linha Verde onde está a estação-tubo Fagundes Varela, que vai do bairro Tarumã ao Atuba, ainda não tem prazo para ser concluído. Em agosto de 2019, a prefeitura rompeu contrato com a empresa que executava as obras. Quatro meses depois, em dezembro de 2019, com a hashtag #AgoraVai, Greca chegou a anunciar pelo Facebook a retomada das obras do entre os bairros Bacacheri e Atuba.

Com isso, a previsão de conclusão da Linha Verde, cuja obra começou em 2006, ainda na gestão de Beto Richa (PSDB) como prefeito, passou de 2020 para 2021.

Como a estação está sem uso, o piso nos dois lados está repleto de sujeira. Materiais de construção, cadeiras, isopor, latas e garrafas de bebidas alcoólicas estão espalhados no local. Carteiras e bitucas de cigarro, pasta de dente, um cachorro de pelúcia e até roupa intima feminina fazem parte do cenário de abandono.

Além disso, os equipamentos da plataforma estão ficando enferrujadas com o tempo. As portas seguem no chão e alguns vidros estão quebrados pelo lado de fora.

Instalação

A instalação da estação-tubo começou em julho de 2018 com a ideia de integrar os ônibus Hugo Lange e Colina Verde, duas linhas convencionais sentido Bairro Alto/ Centro e o metropolitano Maracanã/Linha Verde, de Colombo. Como o serviço jamais saiu do papel, passageiros do transporte público estão sendo afetados diretamente, especialmente para quem tem como destino o Hospital Vita.

Aurea de Cássia Pacheco, 40 anos, trabalha como cuidadora de idosos e enfrenta dificuldades diárias para chegar ao hospital. “A gente se sente uma palhaça vendo isto aqui. Para atravessar é complicado e quanto ao ônibus fico até perdida. A sensação é de que não vai funcionar nunca”, desabafa a cuidadora.

Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Diga aí prefeitura!

Em nota para Tribuna do Paraná, a Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) reforça que as obras seguem paradas devido ao rompimento de contrato com a empresa que venceu a licitação no lote 3.1 da Linha Verde. O lote compreende o trecho que vai da altura da Avenida Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã, até o cruzamento com a Rua Fagundes Varela, no Bacacheri.

No período, a empresa foi notificada 92 vezes pela SMOP por diversos motivos, sendo a maioria por não cumprir com o que estava no contrato, além de atrasos no cronograma e falhas de execução na obra. Atualmente, um levantamento completo do que já foi feito na obra e uma nova licitação será lançada para que o trabalho seja concluído.

Com respeito às estações-tubo, a prefeitura informa que a limpeza vai ser realizada e a Guarda Municipal vai reforçar o patrulhamento para coibir a ação de vândalos.

Além disto, a Fundação de Ação Social (FAS) segue enviando equipes para prestar atendimento caso encontrem moradores de dentro das estações.