A pandemia do coronavírus mudou a rotina dos profissionais de saúde não só no trabalho, mas também na vida particular. Muitos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e outros profissionais que atuam em unidades de saúde e hospitais estão tendo de se afastar de suas próprias famílias para se dedicar aos pacientes e não contaminar filhos, esposas/maridos, pais e outros parentes. Uma atitude de dedicação e amor.

“Não podemos recuar”

É o caso da médica da família Priscila Nishikawa, 35 anos. Ela atende pacientes com sintomas respiratórios na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, no Centro de Curitiba. Por cauda do risco de contaminação do covid-19, ela decidiu tomar uma decisão difícil: está longe dos filhos Bernardo, 7 anos, e Isabella, 5 anos. O contato com as crianças é apenas por vídeos e fotos há mais de 10 dias. 

“No final de semana é muito difícil. É quando tenho mais tempo de ficar com eles. A Isabella me pergunta por que não pode me ver. Não é fácil explicar”, lamenta a médica. “Mas não tenho o que questionar. Se nós, profissionais de saúde, recuarmos agora, a população vai contar com quem? Medo todos sentem. O meu medo não é nem adoecer. É de levar algo para alguém da família”, complementa.

Priscila Nishikawa está morando longe dos filhos para seguir os atendimentos | Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

Casa vazia

A mesma decisão foi tomada pela enfermeira Julyane Rosa, 35 anos. Ela é coordenadora de hotelaria do Hospital Pequeno Príncipe, referência em tratamento pediátrico. Ela é responsável por planejar e estruturar toda a higienização de rouparia dos pacientes do hospital. Se em dias normais o trabalho de Julyane já está sujeito aos riscos de contaminação, com a pandemia esse risco aumenta. Por isso, ela não hesitou: deixou as filhas Nathaly, 5 anos, e Alyce, 2 anos, com os avós. 

“Minha família queria que eu abandonasse o trabalho no hospital. Tive discussões feias com minha mãe. Mas 370 crianças dependem do meu trabalho”, explica. “Mas está sendo muito difícil. É uma imensa tristeza. Choro muito de saudade. Com as duas crianças a casa era uma loucura. Agora é um vazio enorme. Eu deixo a porta do quarto delas fechada e os brinquedos guardados para não sofrer tanto”, desabafa.

Julyane carrega as filhas tatuadas no braço | Foto: Marieli Prestes / Pequeno Príncipe

Isolamento dentro do isolamento

Na lista de preocupados com os pequenos também está o cirurgião-geral Adonis Nasr, 47 anos, que atende no Hospital do Trabalhador, principal base de tratamento do covid-19 em Curitiba. Ele a esposa Acácia Nasr, também médica, adotaram com os filhos o que ele define como “isolamento dentro do isolamento”: mesmo na mesma casa, eles não têm contato nenhum entre si e com os dois filhos. 

“Mudamos completamente a rotina em casa. Nada de abraços e carinho. Não compartilhamos o mesmo ambiente. Não dividimos nenhum utensílio. Ficamos distantes deles. Não temos mais contato. Está sendo um desafio enorme”, revela Nasr. 

“O Gabriel tem 11 anos e a Beatriz, 10. Agora eles estão tendo que ter mais autonomia. Não tem mais ajuda para servir o prato, para cortar carne, para tomar banho. E nós estamos sendo muito rigorosos com a nossa higiene. Isolamos a entrada de serviço, onde deixamos um frasco com álcool para desinfetar sapatos e trocar a roupa. Ninguém gosta que seja assim, mas vai passar”, confia.

Adonis Nasr fez um isolamento dos filhos dentro da própria casa | Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

Longe dos pais

Há também o caso de quem que mora com os pais que estão no grupo de risco de pessoas acima dos 60 anos. O médico clínico-geral e residente em reumatologia André Andretta, 31, optou por se isolar do pai e da mãe.

“Como moramos perto do hospital e estou lidando com pacientes suspeitos, sabia que corria o risco de trazer o vírus para casa. Eles são aposentados e temos um imóvel no litoral, em Matinhos. Meus pais entenderam, levaram a minha sobrinha, que é pequena. Eles já estão entediados, mas faz parte. Enquanto isso, eu estou me adaptando à nova rotina morando sozinho”, conta Andretta. 

Longe dos amigos

No mesmo ritmo de casa-trabalho, trabalho-casa, vive o enfermeiro socorrista Vinicius Coutinho, 35. Mineiro da cidade de Carlos Chagas, ele mora sozinho em Curitiba. Mas a casa, que antes era o local de concentração do grupo de amigos, não recebe mais visitas.

“Trabalho na ambulância e estou na linha de frente mesmo. Por isso, vivo isolado para protegê-los. Porém eu penso que este é um tempo para refletirmos nossas ações. Tenho certeza que após esse período, um abraço ou aperto de mão será muito mais valorizado”, prevê o enfermeiro.

Consulta por vídeo

Por fim, não podemos esquecer dos médicos que tiveram que fazer o próprio isolamento. Muitos consultórios tiveram a recomendação de fechar para evitar aglomeração, principalmente os que não atendem pacientes com tanta urgência. Mas nada que os impeça de trabalhar, como é o caso do cirurgião bariátrico João Henrique Felício Lima, 43 anos. 

Com a aprovação do Senado para a telemedicina, Lima prevê uma evolução neste tipo de atendimento. “Sigo em contato com os pacientes por WhatsApp, Zoom, Skype. Muitos precisam de um auxílio. Acredito que agora possamos ter uma evolução grande para este tipo de atendimento. Principalmente nessas situações, em que alguns pacientes precisam de contato com o médico”, explica.

Enquanto eles se sacrificam, o pedido dos profissionais da saúde é para quem puder, que fique em casa. Afinal, eles estão distante da família para cuidar de todos nós.

Como prevenir a contaminação por coronavírus

  • Lavar as mãos com frequência/ ou utilizar álcool 70%, principalmente antes de consumir algum alimento;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter ambientes bem ventilados, evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda devem praticar etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis, e depois lavar as mãos).

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