A revitalização de quase 4 quilômetros da Avenida Visconde de Guarapuava, no Centro de Curitiba, exigirá um complexo cronograma de intervenções urbanas. O projeto, com duração estimada de obras de dois anos e meio, prevê desde a reconstrução de calçadas e obras no canteiro central até possíveis bloqueios no trânsito e adequações nos imóveis ao longo da via.
O edital foi aberto no final de julho e disponibiliza R$ 1 milhão apenas para os projetos de revitalização. A ideia é que a empresa vencedora faça um planejamento completo, envolvendo principalmente as interferências subterrâneas, como gás, água, esgoto e fibra óptica. A principal mudança será o aterramento dos fios. Além disso, a empresa contratada vai precisar elaborar um plano para minimizar os transtornos aos moradores durante a reforma.
Com o aterramento da fiação, a tubulação vai ocupar a pista de rolamento em toda a extensão da avenida, ou seja, embaixo de onde os veículos trafegam. Veja detalhes da obra:


O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) elaborou o estudo prévio e definiu os conceitos que vão orientar a mudança na avenida. De acordo com a prefeitura, a proposta já prevê a requalificação das calçadas para “ampliar a caminhabilidade e garantir acessibilidade universal”.
As empresas terão até o dia 9 de setembro, às 9h55, para enviar as propostas pelo portal de compras da Prefeitura. Nesse mesmo dia, terá início a fase competitiva com os lances.
Futuros bloqueios na Avenida Visconde de Guarapuava
Conforme detalha o edital, para que as obras de aterramento dos fios da rede elétrica e de telecomunicações sejam feitas de forma contínua, será preciso bloquear totalmente a pista. Ainda não há um plano de desvio, que ficará por conta do município quando o projeto for iniciado.
No documento, ainda consta que, caso os bloqueios sejam adotados em tempos alternados ou apenas em fins de semana, o prazo para a conclusão da obra provavelmente será reavaliado.
A empresa contratada também deverá definir por onde passará a ciclovia e como os moradores poderão acessar as garagens. Além da Avenida Visconde de Guarapuava, outras vias sofrerão intervenções complementares de calçada e pavimentação, como as ruas João Negrão, Desembargador Westphalen, Silveira Peixoto e a Travessa Frei Caneca. Já as ruas Coronel Dulcídio, General Carneiro e a Avenida Presidente Affonso Camargo passarão por adaptações para viabilizar o aterramento dos fios.
Impacto para os moradores da região
O edital identificou 257 unidades consumidoras de energia no trecho que será revitalizado. São imóveis cuja fiação migrará para o sistema subterrâneo. Cada prédio terá seu próprio projeto, que deverá ser criado pela vencedora desta primeira licitação. De acordo com as diretrizes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a mudança não deve acarretar custos aos moradores.
As entradas de energia de cada prédio ou comércio deverão ser readequadas para receber os novos fios vindos do subsolo.
O planejamento prevê que, durante a migração entre os dois sistemas, o projeto passe por etapas de transição para evitar que os moradores fiquem sem energia elétrica. A rede aérea só será totalmente desmontada quando todas as unidades estiverem com a fiação subterrânea conectada.
Se a nova entrada de energia atingir muros, portões ou calçadas, o orçamento da obra cobrirá a demolição e a reconstrução. Nas esquinas, o projeto vai elencar quais muros precisarão ser chanfrados para melhorar a visibilidade da rua. As calçadas também vão seguir o padrão de acessibilidade.
O edital exige que sejam desenvolvidas soluções “particulares” caso o projeto dificulte o acesso dos moradores às propriedades.
Jardins de chuva no Centro de Curitiba
Partes da região central são conhecidas por alagamentos. Um dos principais temas do novo projeto é trazer Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com jardins de chuva. Este será um dispositivo para drenar a água antes que ela sobrecarregue as galerias.
Já foram identificadas ilhas de calor em alguns bairros, como o próprio Centro, devido à impermeabilização do solo, às edificações e ao asfalto. O edital reconhece que a avenida atualmente não possui arborização suficiente; por isso, há uma meta para incrementar a cobertura vegetal, com a seleção de novas espécies adequadas ao ambiente urbano. Ainda segundo o edital, com o fim das fiações aéreas, as novas árvores não vão necessitar de podas constantes.
