Quando se fala em segurança pública, é comum dizer que essa é uma atribuição dos governos estadual e federal, responsáveis pela manutenção das polícias, principais organismos de repressão e combate à criminalidade. Garantir segurança à população, no entanto, vai muito além do policiamento e passa, sobretudo, pela prevenção. É aí que entra o papel dos governos municipais, a quem cabe adotar políticas preventivas e atuar em parceria com os demais órgãos de segurança.

Em Curitiba, a segurança pública tem se mostrado uma das principais preocupações da população, demandando assim uma atenção especial de quem assumir a prefeitura no ano que vem. No Fala Curitiba, programa de consultas públicas realizado pela prefeitura com vistas à elaboração das leis orçamentárias, o assunto aparece entre as principais demandas elencadas pelos moradores de praticamente todas as regionais. A principal reivindicação para a área verificada em 2020 é o reforço na estrutura e na atuação da Guarda Municipal, com a presença de mais agentes e viaturas em circulação nas ruas.

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A Guarda Municipal de Curitiba conta atualmente com um efetivo de 1,6 mil agentes, que atuam na proteção ao patrimônio, patrulhamento e apoio aos organismos policiais. Segundo a prefeitura, a corporação tem atendido nos últimos meses uma média de 155 ocorrências diárias. Um trabalho importante, mas que precisa estar integrado com outros órgãos, na avaliação de Gerson Luiz Buczenko, coordenador do curso de Segurança Pública do Centro Universitário Internacional (Uninter).

“Não se pode mais pensar em cada instituição atuando de forma isolada. A Guarda Municipal é uma força fundamental, mas não tem condições de estar 100% presente em toda a cidade. Assim como a Polícia Militar também não consegue fazer o policiamento sozinha. Todas essas estruturas precisam estar conectadas, atuando em rede”, observa Buczenko. Para ele, essa atuação integrada precisa acontecer de forma permanente, monitorando dados e planejando ações relacionadas a grandes eventos e desastres naturais, por exemplo.

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Para que isso aconteça, o especialista aponta como fundamentais investimentos em tecnologia, como sistemas de monitoramento e compartilhamento de informações em tempo real. “Temos os drones, por exemplo, que podem ser usados em eventos e locais com grande circulação de pessoas. Saber que existe um monitoramento dos órgãos de segurança já faz com que o cidadão sinta-se mais seguro e volte a ocupar o espaço público”, acredita Buczenko.

Região Metropolitana precisa estar integrada

Algumas estatísticas mais recentes apontam para uma redução nos índices de criminalidade em Curitiba. De acordo com relatório da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Curitiba e Região Metropolitana registraram no primeiro semestre deste ano quedas de 19,9% nos crimes contra a pessoa e 9,26% nos crimes contra o patrimônio em relação ao mesmo período do ano passado. Os roubos caíram 27,4%, enquanto os furtos de veículo tiveram redução de 12,1%. Por outro lado, os homicídios contabilizados somente na capital cresceram 17%: foram 142 nesse período, sendo que os bairros com mais registros foram Cajuru, Cidade Industrial (ambos com 15) e Tatuquara (12).

Ainda sobre as estatísticas de homicídios, é importante observar que alguns municípios da Região Metropolitana de Curitiba concentram alguns dos números mais altos do estado, como São José dos Pinhais (43), Piraquara (36) e Colombo (29). Por isso, Buczenko aponta a necessidade de uma maior integração também entre as prefeituras da região.

“Curitiba não pode ser pensada de forma isolada. As pessoas estão o tempo todo transitando entre os municípios e o crime também. Por isso, é preciso que seja feito um planejamento integrado, a região metropolitana deve ser pensada não apenas no aspecto econômico, mas também com um olhar para a segurança pública”.