Após a administração do PolloShop anunciar em abril o encerramento das atividades, o empreendimento poderá ganhar novo capítulo na história curitibana. Um grupo formado por lojistas está tentando a reabertura do centro comercial, pedindo para que a empresa dona do imóvel aceite a indicação de um novo administrador. Proprietário do local, o grupo Cia. Iguaçu contratou uma empresa do Rio de Janeiro para estudar viabilidade do negócio, a Argo, que, futuramente, poderá ser a própria gestora do centro comercial.

Representados pelo advogado Luiz Eduardo Vacção S. Carvalho, grande parte dos lojistas quer uma segunda chance para o shopping. Os comerciantes se organizam com a expectativa de que os trabalhos sejam retomados o quanto antes. “Em maio, a proprietária do imóvel especulou, de maneira informal, a opinião dos lojistas sobre a viabilidade da reabertura. A maior parte deles acredita que é possível o empreendimento se manter lucrativo. Temos dois nomes para indicar para a administração e já na semana que vem teremos essa definição de quem poderá estar à frente do shopping”, detalhou o advogado, que representa 30 lojistas.

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Quando o shopping fechou as portas, havia cerca de 200 lojistas no estabelecimento. “Hoje estimo que pelo menos metade tem intenção em continuar. A outra metade ou já desocupou ou ainda não decidiu”, afirmou o representante legal de parte dos comerciantes.

Resposta

A nota informando o fechamento do shopping após 24 anos de atividades foi divulgada para a a imprensa no dia 20 de abril. O PolloShop já estava fechado na data, mas por causa da pandemia do coronavírus. Na ocasião do anúncio, os administradores do shopping ressaltaram que a decisão de fechar já vinha em um processo desde 2014. No texto, foi explicado que a retração na economia em decorrência da pandemia do coronavírus acelerou o processo que culminou no encerramento.

Apesar de ser dona de outros negócios, a Cia. Iguaçu não atua no ramo de shoppings. Em maio, em entrevista ao repórter Alex Silveira, da Tribuna do Paraná, Marcello Almeida, porta-voz e sócio da Cia. Iguaçu, afirmou que seria preciso ter em mãos a comprovação de que valeria a pena manter o empreendimento funcionando.

“São vários aspectos administrativos que estão em jogo. A atividade de um shopping é complexa. O que posso garantir, no momento, é que qualquer outro destino que digam que seria dado para aquele imóvel é boato. Não existe um pré-acerto”, disse, em entrevista.

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Os lojistas alegam que precisam de uma definição da Cia. Iguaçu sobre a reabertura ou não do shopping com urgência, pois já estão há três meses sem ganhos. “Sabemos que devem ser feitas readequações para que o negócio dê certo, mas precisamos de uma definição urgente”, afirmou Carvalho.

Não há nenhum processo judicial transcorrendo. As negociações estão sendo feitas apenas “na base da conversa”, segundo o advogado.

Estudo de viabilidade

Para saber se é financeiramente possível manter o shopping em funcionamento, a Cia. Iguaçu contratou a Argo Desenvolvimento e Gestão para um estudo de caso. A empresa, com sede no Rio de Janeiro, é sócia e administradora do Shopping Crystal, em Curitiba. Em nota enviada à Gazeta do Povo, a Argo disse que não há negociações sendo feitas com a proprietária do imóvel do PolloShop.

“Fomos contratados pelo empreendedor para realização de um estudo de viabilidade em relação ao PolloShop. O estudo ainda está em andamento, sem definição final em relação ao futuro do empreendimento”.

A Argo é responsável pela administração de 19 shoppings em seis estados brasileiros.

Contatado, o escritório de advocacia Peregrino Neto, que representa a Cia. Iguaçu, confirmou a realização do estudo de viabilidade para “implementação de um novo shopping no imóvel”. Caso a decisão seja pela reabertura, a “Iguaçu não venderia o shopping, mas contrataria a Argo para administrar” – adiantou a advogada Ana Letícia Rosa.