Violência

Mulher baleada pelo ex em salão de Curitiba fica com sequelas e se recupera em casa

Anna Carholina foi baleada no dia 25 de agosto. Foto: RPC

A vida de Anna Carholina Pires, de 31 anos, mudou no dia 25 de agosto de 2026, quando ela foi baleada pelo ex-companheiro, de 45 anos, dentro do salão de beleza onde trabalhava no bairro Santa Quitéria, em Curitiba. Ela tinha uma medida protetiva em vigor e havia registrado neste ano mais de 15 boletins de ocorrência junto à polícia.

O crime aconteceu quando ela estava sozinha no estabelecimento. Segundo as investigações, o homem forçou a entrada e disparou mais de uma vez contra ela com uma arma de fogo. Depois, tentou tirar a própria vida, mas os dois foram socorridos e encaminhados a atendimento médico.

Ele se encontra preso no Complexo Médico Penal (CMP). Ela passou por um longo período de internação no Hospital Evangélico Mackenzie e, dois meses depois da tentativa de feminicídio, se recupera em casa, sob os cuidados da mãe. Anna apresenta sequelas motoras devido aos disparos sofridos na região da cabeça, que causaram falta de oxigenação e de irrigação do sangue no cérebro.

“Ela não consegue movimentar o lado direito, em especial a mão e o braço. Também não sente a perna, tem dificuldade de falar, dificuldade de locomoção e na escuta do lado direito”, diz o advogado Eduardo Perine, que representa Anna na Justiça.

Para a recuperação, ela deve realizar acompanhamento de fisioterapia e fonoaudiologia. “O trauma é para toda a família. Não tem previsão de se eventualmente vai recuperar. É claro que se espera essa recuperação, se torce por ela, mas a verdade é que não se tem nenhuma perspectiva se efetivamente vai acontecer”, afirma o advogado.

Como está o andamento do caso

O atentado a tiros não foi o primeiro episódio de violência e ameaça envolvendo o ex-companheiro de Anna, uma vez que ela já havia registrado boletins de ocorrência e solicitado medidas protetivas para si e para os filhos. No dia 3 de setembro, o Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou denúncia contra ele por tentativa de feminicídio majorada e perseguição. Além da responsabilização criminal, o MP pede à Justiça indenização por danos morais de pelo menos R$ 50 mil à vítima.

Para o advogado, o caso evidencia até onde a violência contra a mulher pode chegar: “É necessário que todos os elementos sejam examinados com rigor, inclusive para compreender como uma situação de violência recorrente chegou a uma tentativa de feminicídio”.

A denúncia do MP representa uma etapa do processo. Os próximos passos envolvem a oitiva das testemunhas e posterior envio do caso para o plenário do Tribunal do Júri. Só então os jurados definem se o réu é culpado ou inocente das acusações.

“O que a família e a defesa esperam é que ao final e ao cabo de toda a instrução processual o agressor seja condenado, que a sociedade curitibana dê uma resposta, tanto para esse agressor como para os outros, que Curitiba não vai aceitar feminicidas”, diz Perine. Segundo ele, a família também espera que, em razão da periculosidade do agressor, ele permaneça preso. “A soltura dele inverte a lógica. Se ele ficar solto, a família estará presa”, afirma.

Violência contra a mulher no Paraná

O Paraná registrou queda de 20,7% nos feminicídios em 2025 na comparação com o ano anterior, passando de 109 para 87 vítimas, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado em 2026. Apesar da redução nas mortes consumadas, outros indicadores apontam aumento da violência de gênero.

As tentativas de feminicídio cresceram 36,2%, de 108 para 148 casos. Também houve alta nos registros de perseguição (14%), violência psicológica (36,2%) e descumprimento de medidas protetivas (22,8%), que chegaram a 23.220 ocorrências.

O estado também apresentou a maior taxa do país de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, com 517,2 registros por 100 mil mulheres, e a maior taxa de descumprimento de medidas protetivas.

Nesse contexto, 13 mulheres foram mortas em 2025 mesmo tendo medidas protetivas de urgência ativas — o equivalente a 14,9% dos feminicídios registrados no Paraná e a maior proporção entre os estados que informaram esse dado.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google