Com o fim da linha direta R71, entre Contenda e Curitiba, o deslocamento diário de cerca de 1h40 passou a levar quase o dobro do tempo. Desde a desativação do serviço, em dezembro do ano passado, Adelmar Aurélio trocou os dois ônibus do trajeto por quatro. Para conseguir chegar no horário ao trabalho, ele sai de casa às 5h e só desembarca no Centro de Curitiba por volta das 8h, cerca de três horas depois.
A rotina se repete para outros moradores do município que trabalham na capital. Helenice dos Santos Oliveira relata que o tempo de viagem e o cansaço crescem a cada nova conexão feita nos terminais. “É cansativo. Os ônibus são superlotados e a dificuldade é grande”, resume.
O anúncio do fim da linha provocou reação entre usuários e também no poder público local. O prefeito Mostarda se manifestou nas redes sociais e classificou a medida como uma “notícia desagradável” (veja abaixo). Segundo a Prefeitura de Contenda, a decisão de desativar a linha foi tomada de forma unilateral.
A ligação direta operava há cerca de duas décadas e foi sendo reduzida ao longo dos anos. “Quando surgiu a linha, tinha vários horários e a população era muito menor. Hoje a população aumentou e só tínhamos dois horários, um para ir e outro para voltar”, lembra Adelmar.
A última tabela previa saída de Contenda para Curitiba às 6h10 e retorno da capital às 6h35. Apesar das limitações, o serviço atendia a uma demanda básica dos trabalhadores, segundo os usuários. Com o encerramento da operação, o trajeto passou a incluir duas novas etapas.
Para sair de Contenda, Adelmar e Helenice utilizam a nova linha R99 – Conexão Contenda, seguida da R11 – Contenda/Araucária. Só depois disso é possível acessar as linhas que seguem diretamente para Curitiba.
A linha de conexão com o terminal é recente e é mantida pela Agência de Assuntos Metropolitanos (Amep). O serviço funciona de forma gratuita, com 20 horários em dias úteis, concentrados principalmente nos períodos de pico. Embora não tenha custo para o passageiro, a operação é financiada pelo orçamento da Amep.
Com a troca da linha direta por um sistema alimentador até o terminal, o que parece uma equivalência técnica se traduz, na prática, para os usuários, em mais tempo e desgaste para quem depende do transporte. Veja abaixo a operação que passageiros precisam fazer para chegar a Curitiba:

E aí, Prefeitura e Amep?
Em resposta à Tribuna sobre possíveis ações para amenizar os problemas enfrentados pelos moradores, a Prefeitura de Contenda afirma que “mantém diálogo com o órgão e busca alternativas junto à Amep para solução desta situação”.
No dia 18 de dezembro, a Prefeitura encaminhou um ofício solicitando a revogação do fim da linha R71. “A retirada dessa linha de circulação poderá ocasionar danos irreversíveis aos seus usuários, tais como advertências, demissões e demais sanções trabalhistas, gerando grandes transtornos aos cidadãos que dependem diariamente desse serviço para o exercício de suas atividades profissionais”, afirma o documento.
Segundo a Amep, a desativação da linha se deu porque a operação restrita ao horário das 6h10 atendia apenas 30 passageiros em um percurso superior a 50 quilômetros, o que gerava alto déficit operacional. De acordo com a autarquia, a linha não se pagava. Esse número de usuários equivale a 1,64% dos 1.825 passageiros atendidos no município.
“A reclamação de parte dos passageiros do bairro Serrinha é que agora precisam trocar de ônibus para chegar a Curitiba. No entanto, o serviço de transporte metropolitano é planejado e operado para atender de forma coletiva, assim como ocorre nos demais municípios. O atendimento ao bairro Serrinha, com os 20 horários oferecidos, melhora consideravelmente o serviço. Entretanto, para uma parcela que representa cerca de 3% desse público, a necessidade de troca de ônibus passa a ser considerada um problema ou desconforto”, afirmou a autarquia à Tribuna.
A Amep sustenta que a conexão gratuita permite que os moradores cheguem a Curitiba ou a outras cidades da Região Metropolitana com uma única tarifa. Mesmo diante dos benefícios apontados pela agência, moradores ainda aguardam uma solução para o aumento do tempo de deslocamento.
Para Adelmar, a situação de Contenda contrasta com investimentos anunciados em outros municípios da Região Metropolitana, como a ampliação da frota de ônibus elétricos e a implantação do BUD, projeto recente do Governo do Paraná. A avaliação é de que, sem uma ligação direta com Curitiba, Contenda fica ainda mais distante do acesso ao trabalho, aos serviços e às oportunidades concentradas na capital.
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