Curitiba elevou o nível de atenção para conter o avanço das doenças respiratórias. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) ativou o Estágio de Alerta do plano de contingência — o terceiro patamar de uma escala operacional que vai de Normalidade a Crise. A medida visa reorganizar a rede pública para absorver a pressão sobre os pronto-atendimentos e leitos de internação.

continua após a publicidade

Com a mudança de estágio, os hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital ganham aval para suspender temporariamente cirurgias eletivas, caso haja necessidade imediata por superlotação em prontos-socorros ou alta ocupação em UTIs. Ficam blindados da suspensão os procedimentos urgentes, emergenciais, oncológicos, cardiovasculares inadiáveis e qualquer situação em que o adiamento possa trazer prejuízo clínico ao paciente.

Ampliação de leitos e reforço nas UPAs

Para tentar desafogar o sistema, a prefeitura iniciou algumas manobras, como:

  • Novos leitos: Quatro novos leitos foram ativados no Hospital Municipal do Idoso. Em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a oferta também está sendo ampliada na rede hospitalar da Região Metropolitana.
  • Altas rápidas: O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) ativou um novo fluxo para acelerar a desospitalização segura de pacientes que podem terminar o tratamento em casa.
  • Escalas e Máscaras: As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) receberam reforço nas equipes médicas. Além disso, voltou a ser obrigatória a orientação de distribuição de máscaras a todos os pacientes que dão entrada com sintomas respiratórios nos postos e UPAs.

Restrição do Tamiflu: O antiviral Oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu, terá distribuição concentrada exclusivamente nas nove UPAs de Curitiba. O medicamento será indicado estritamente para pacientes de grupos de risco com sinais de alerta, o que inclui idosos, gestantes, crianças menores de 5 anos, indígenas, imunossuprimidos ou pessoas com comorbidades específicas.

Mudança nos Postos de Saúde (UBS)

continua após a publicidade

As unidades básicas de saúde de Curitiba estão reorganizando as agendas diárias para priorizar quem está doente. A partir de agora, o atendimento será dividido meio a meio:

  • 50% das agendas: Destinadas ao cuidado programado e de rotina (eletivo).
  • 50% das agendas: Exclusivas para o atendimento de queixas agudas do dia, com foco em pacientes com sintomas respiratórios.

Demandas que não são urgentes, como a marcação de exames gerais de rotina para pacientes sem sintomas e sem comorbidades, serão agendadas apenas após o período de maior pico da sazonalidade.

Curitiba atinge patamar de “Intensidade Severa”

continua após a publicidade

A decisão de ativar o alerta ocorre após o município registrar duas semanas consecutivas de alta densidade de atendimentos. Na última semana epidemiológica monitorada, Curitiba rompeu a barreira dos 23,1 mil atendimentos semanais, teto considerado pelos técnicos como o início da “intensidade severa”.

Semana EpidemiológicaAtendimentos Respiratórios na Rede MunicipalClassificação de Intensidade
Semana 1919.697Alta
Semana 2022.352Alta
Semana 2123.569Severa

Influenza em Curitiba

Entre os vírus respiratórios que circulam na capital paranaense está o da Influenza. Referência em atendimento pediátrico em Curitiba, o Hospital Pequeno Príncipe registrou alta nos diagnósticos da doença nos últimos meses. A unidade somou 1.090 casos em abril deste ano, número mais de nove vezes superior ao observado no mesmo mês do ano passado, quando houve 118 confirmações.

Até 20 de maio, limite do levantamento do hospital, o número de casos atendidos na unidade já somava 987.

Onde buscar ajuda?

As SMS reforça que a população não sobrecarregue os pronto-atendimentos sem necessidade. Para sintomas leves, a orientação é buscar a unidade de saúde de referência ou utilizar a Central Saúde Já Curitiba, pelo telefone 3350-9000 (que oferece triagem e consulta médica virtual).

Segundo a pasta, as UPAs devem ser procuradas apenas em situações reais de urgência e emergência.

Medidas de prevenção

Como medidas de prevenção coletiva, a SMS reforça a importância do uso de máscaras por quem apresenta sintomas gripais, higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, manutenção de ambientes bem arejados e o hábito de cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar.