Enquanto o Litoral do Paraná celebra a entrega da Ponte de Guaratuba nesta sexta-feira, dia 1º de maio, quem passa pela região do Tarumã, em Curitiba, precisa exercitar a paciência por mais quatro meses. As duas obras foram iniciadas em 2023, mas as coincidências terminam aí. De acordo com o último cronograma, o Complexo do Tarumã será entregue no mês de agosto, estima a prefeitura.

continua após a publicidade

Se a ponte é uma estrutura erguida do zero sobre o mar, o Complexo do Tarumã é como uma “cirurgia cardíaca com o coração batendo”. O desafio não tem sido apenas técnico, mas também logístico: como dobrar o tamanho de um viaduto de 24 para 50 metros de largura sem interromper o fluxo de uma das rodovias urbanas mais movimentadas de Curitiba?

A reportagem da Tribuna do Paraná foi até a Secretaria de Obras, localizada no bairro São Francisco, e obteve respostas diretamente com o secretário Luiz Fernando Jamur. As obras de toda a região, que no primeiro cronograma seriam entregues em dezembro de 2024, atrasaram e muito. O grande problema apontado pelo secretário foi com a empresa contratada para executar a obra.

A construtora responsável Trail Infraestrutura já foi autuada e penalizada administrativamente pelo descumprimento de etapas do cronograma. Foram mais de 200 notificações e 19 intimações. Por causa das sanções aplicadas, não há possibilidade de reajustes contratuais.

continua após a publicidade

A empreiteira, segundo Jamur, teve dificuldades operacionais e falta de fluxo de caixa. Uma grande obra, como a do Complexo do Tarumã, exigiu uma necessidade de aproximadamente R$ 100 milhões em recursos para investir e só depois receber da prefeitura. “Você precisa ter capital, recurso financeiro, para poder investir e só depois receber e ter o ciclo produtivo da obra”, comenta Jamur.

E por que não trocar de empresa? O secretário foi claro e direto: rescindir o contrato exigiria uma nova perícia, atualização de planilhas, e nova licitação. Diante de todo o trâmite e disputas judiciais, continuar com a obra mesmo atrasada ainda continuaria sendo mais vantajoso para a prefeitura.

Por que o projeto do Viaduto do Tarumã é tão complexo?

continua após a publicidade

O Viaduto do Tarumã foi construído no início da década de 1970, no cruzamento da Avenida Victor Ferreira do Amaral sobre a Linha Verde (trecho urbano da rodovia BR-116). A região com o tempo tornou-se um gargalo histórico. Ela abraça o fluxo entre Pinhais, Piraquara e Curitiba.

Antes da obra atual, existia um cruzamento com semáforo e rótula, que travava o trânsito principalmente nos horários de pico. As obras do Complexo do Tarumã permitiram o alargamento do viaduto, duas novas estações de ônibus e novos acessos para a conexão com a Linha Verde Norte e Sul, mais a requalificações das vias no entorno. Com a retirada da rótula e criação de novas alças de acesso, a prefeitura acredita que o trânsito vai passar a fluir melhor.

O antigo viaduto, que tinha 24 metros de largura, vai passar a ter 50 metros no total. Todo o alargamento foi feito com independência estrutural: as novas faixas laterais receberam estrutura independente, garantindo segurança sem sobrecarregar a estrutura original.

Há também o desafio do nivelamento de todo o viaduto. A estrutura antiga é curva e a nova precisou receber um novo nivelamento para receber a estação-tubo, que vai ficar no canteiro central. Enquanto isso, a obra tem sido executada sem parar o fluxo na região.

Os ganhos reais com a obra do Complexo do Tarumã

Apesar de ter sido um grande, e longo, teste de paciência para o curitibano que passa pela região, a requalificação das vias, as novas estações-tubo e a mudança no fluxo de veículos vão provocar um impacto real na mobilidade da região. Um projeto que Jamur garante que foi pensado para as próximas décadas.

“Embaixo [do viaduto] não haverá cruzamento e não haverá semáforo na Vitor Ferreira. O que vai ter é um semáforo na estação do ônibus, para quando o ônibus passar”, explicou o secretário. Com o novo desenho viário na região, o secretário acredita que o tempo de deslocamento já tem reduzido drasticamente.

O maior benefício, acredita Jamur, será no deslocamento do transporte coletivo. O secretário estima uma redução e 30% a 40% no tempo de viagem. A nova estação no topo do viaduto permitirá uma integração inédita: passageiros vindos do Sul (como Fazenda Rio Grande) poderão desembarcar no Tarumã e seguir para a Região Metropolitana Leste, como Pinhais e Piraquara, sem precisar passar pelo Centro congestionado de Curitiba.

A reportagem da Tribuna do Paraná entrou em contato com a Trail Infraestrutura por telefone e por e-mail nesta segunda e terça-feira (27 e 28), para saber os motivos dos atrasos da obra, mas a empresa não retornou os contatos até a publicação desta reportagem.