A greve de fome iniciada por professores e funcionários da rede estadual de ensino contrários ao edital do Processo Seletivo Simplificado (PSS) da Secretaria de Estado da Educação alcança 48 horas neste sábado (21). Além disto, a Justiça determinou na sexta-feira (20), a saída dos educadores que estão acampados debaixo das marquises do Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, com pena de R$ 30 mil por dia para a APP-Sindicato em caso de desobediência. O departamento jurídico da APP irá recorrer da decisão.

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Acampados desde a quinta-feira (19), os manifestantes estão lutando contra a fome e o frio na madrugada. Com banheiros químicos e o apoio de uma ambulância, a equipe sofreu 21 desistências até o momento. O presidente Hermes Leão, 55 anos, está acompanhando toda a ação e valoriza o apoio da classe e da comunidade.

“Completamos 48 horas na greve de fome deste quadro instalado na nossa categoria. Começamos com 48 colegas e estamos com 27 agora na manhã deste sábado. Alguns tiveram dificuldades de saúde e foram muito importantes, mas os médicos pediram que eles saíssem. Temos assistência clinica o tempo todo e estão atendendo com a aferição da pressão arterial e temperatura. Se a médica relatar que a pessoa precisa se alimentar, ela deixa na hora o movimento”, disse o presidente que relatou que está sentindo falta do café nas primeiras horas do dia.

Água liberada e frio na madruga

Sem nenhuma alimentação, a hidratação passa a ser primordial. Água está liberada e banheiros químicos foram instalados na região. Além da fome, o frio nas madrugadas está sendo o vilão para os manifestantes. “Aqui é muito aberto e a noite de quinta para sexta foi bem gelada. Já nesta madrugada estava menos intenso o frio. Nunca imaginei passar por isto, pois a greve de fome se encaixa somente quando não se tem uma porta aberta de comunicação como acontece na ditadura. No entanto, desde 2019, estamos enfrentando isto aqui no Paraná com características ditatoriais. Seguimos aguardando o contato e não podemos aceitar isto”, comentou Hermes.

Sem prazo para sair

Os professores e funcionários da rede estadual de ensino que estão acampados não tem prazo para deixar o local. No meio da tarde de sexta-feira, a Justiça determinou a saída dos manifestantes sob pena de R$ 30 mil por dia. A APP irá entrar com recurso nas próximas horas na tentativa de barrar a punição. “Um oficial de justiça veio aqui e estamos sob multa já. A princípio o valor era de R$ 100 mil por hora para liberamos, mas o juiz reduziu para R$ 30 mil por dia. Tentaremos um recurso neste fim de semana e enquanto isto iremos permanecer no mesmo lugar”, explicou o presidente do sindicato.

Por que a greve de fome?

O governo estadual oficializou o edital para contratação por meio do Processo Seletivo Simplificado (PSS) de professores temporários para aulas em 2021 no Paraná. O edital prevê a oferta de 4 mil vagas, com a possibilidade de ampliação de acordo com a necessidade de substituição na Rede Estadual de Educação. A novidade para este ano é aplicação de uma prova de conhecimento da área em que o professor se inscreveu e pretende dar aula.  Além da prova, os candidatos devem cadastrar documentos de títulos. Esses documentos vão representar até 40 pontos do processo de seleção, valendo diplomas de pós-graduação, como de especialização, mestrado ou doutorado. A prova de títulos compreende também o tempo de serviço – cada ano de magistério vai contar 3 pontos, com máximo de 21 pontos (dentro dos 40 totais).

No entanto, a APP alega que faltou discussão sobre esta nova regra e pede a revogação da prova presencial em um momento de pandemia do novo coronavírus. A categoria também reivindica a renovação dos contratos atuais, a realização de concurso público, o pagamento do mínimo regional e de promoções e progressões. Na última quarta-feira (18), 70 manifestantes ocuparam o plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e passaram a noite no espaço. Horas depois, decidiram entrar em greve de fome no fim da manhã de quinta-feira.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR) ressalta que sempre esteve aberta ao diálogo com os representantes dos professores. o Processo Seletivo Simplificado -PSS foi pauta presente em várias reuniões entre representantes da Seed-PR e dos professores ao longo do ano de 2020. Somente nos últimos três meses foram nove encontros oficiais e o PSS foi debatido em todos eles.