Baita confusão

Churrasco barulhento irrita vizinhos, síndico é agredido, saca uma arma e treta acaba com paz em condomínio de Curitiba

Síndico PM puxou arma em treta ocorrida em condomínio no Bairro Alto, em Curitiba. Foto: Reprodução

Uma confusão por pouco não terminou em tragédia em um condomínio localizado às margens da Linha Verde, no Bairro Alto, em Curitiba, neste final de semana. Durante um bate-boca entre o síndico, que também diz ser policial militar, e uma moradora — e seus convidados —, uma agressão forçou o funcionário do condomínio a sacar uma arma para se defender e desmobilizar a treta que se formou.

Ninguém ficou gravemente ferido e o tumulto foi dispersado em alguns minutos, mas o caso ainda promete dor de cabeça para alguns dos envolvidos. Tudo começou no domingo, por volta das 15h. Segundo o síndico Alexandre de Souza, moradores começaram a reclamar da farra — som alto, gritaria — que os participantes de um churrasco estavam protagonizando.

O zelador do condomínio e o porteiro foram incumbidos de passar o recado para a moradora responsável por reservar a churrasqueira, lembrando-a das regras do condomínio e transmitindo a ela que moradores vizinhos estavam incomodados.

Além de não funcionar, segundo Alexandre, os funcionários foram agredidos pelos participantes da festa. “Ela colocou 40 pessoas num lugar onde cabem 15. Muito som e farra. Ligamos cinco vezes, pelo menos, para a moradora, e nada. O zelador foi até lá e depois acabou agredido, quando virou as costas e jogaram latas de cerveja nele. Eu tentei ligar para ela também e precisei ir até o local para entender e resolver o problema”, disse o síndico à Tribuna.

Daí em diante, o vídeo mostra o que aconteceu. Após o bate-boca, um dos convidados agrediu Alexandre, que sacou uma pistola, segundo ele, cumprindo o que prevê o Código Penal. “Enquanto não chegava a viatura, um dos convidados me agrediu. A partir dali, o Código Penal Brasileiro é claro. Qualquer cidadão tem direito à legítima defesa, usando os meios necessários à sua mão. Como sou policial e ando armado, foi legítima defesa. Quando cessou a injusta agressão, a arma foi recolhida e guardada”, explicou.

Segundo o síndico, o mesmo indivíduo foi até a churrasqueira e pegou uma faca, mas acabou contido pelos colegas. A “turma do deixa disso” conseguiu agir, acalmando os ânimos e evitando que a tarde tranquila de domingo virasse um pesadelo maior.

Treta continuou

A confusão continuou no grupo de WhatsApp do condomínio, com trocas de acusações e mais agressões. Na repercussão com os demais vizinhos, a maioria parece ter ficado ao lado do síndico, que afirmou que existem várias reclamações envolvendo a moradora, inclusive com a aplicação de multas. Multas, aliás, que foram a primeira medida tomada pelo condomínio após a confusão do final de semana.

Segundo o síndico, o departamento jurídico da empresa que administra o condomínio vai entrar com uma ação criminal contra três pessoas por lesão corporal. Administrativamente, foram aplicadas multas à condômina e, civilmente, ela poderá responder por calúnia e difamação contra o síndico. Ele disse, inclusive, que a moradora pode até ser expulsa do condomínio.

Moradora admite som alto e diz ter medo após confusão

A moradora se pronunciou sobre a confusão. Segundo ela, que admite um eventual excesso sobre o barulho, o problema já tinha sido resolvido quando a confusão começou.

“Quando o segurança pediu para baixar o som, já tínhamos desligado e as pessoas estavam indo embora. Ele me ligou quatro vezes, mas o celular estava no silencioso. Quando peguei, vi que tinha uma mensagem dizendo que ia chamar a polícia. Eu não disse nada, nunca me eximi da culpa do barulho. Mas nada justifica a forma como ele abordou todo mundo”, explicou a promotora de eventos Amanda Buzetti.

“Ele chegou me agredindo, me xingando. Ele estava bem alterado. Falei em tom mais baixo, pois vi que ele estava alterado, mas ele deu de dedo na minha cara. Meu amigo achou que ele ia me agredir, porque ele estava agressivo, aí deu um soco nele”, contou.

Amanda afirma que não se sente mais segura dentro do condomínio. “Estou me sentindo perseguida. Ele me aplicou cinco multas, me expôs, fez todos do condomínio ficarem contra mim. Estou com medo. Moro sozinha, tenho três filhos, inclusive um bebê de quatro meses. Aliás, no vídeo pode ver que, quando ele saca a arma, todo mundo se revoltou por causa das crianças que estavam ali”.

Sobre a acusação de que já causou outros problemas no condomínio, Amanda se defendeu. “Eu trabalho pra caramba, tenho dois empregos. Eu mal paro em casa. É tudo mentira dele. Como posso ter uma conduta ruim em um lugar onde mal fico?”

A moradora afirma que vai tomar medidas jurídicas para se proteger. “Não me sinto segura, ele anda armado e estava descompensado. Sabe Deus o que ele pode fazer. Fiz um boletim de ocorrência, fui atrás de um advogado para tentar me proteger”, concluiu.

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