Acolhimento e esperança

Centro de atendimento oncológico gratuito em Curitiba precisa de ajuda

CAPO
CAPO - Centro de Apoio a Pacientes Oncológicos - Dr. Bezerra de Menezes. Foto: Divulgação

Em Curitiba, o Centro de Apoio a Pacientes Oncológicos (CAPO), localizado no bairro Mercês, é uma iniciativa privada que atua oferecendo consultas e terapias complementares gratuitas desde 2015 para pessoas diagnosticadas com câncer.

A história do CAPO começou há 10 anos, quando o pai da atual presidente, Cristiane Poppi, se reuniu com um grupo de pessoas após a avó dela ser diagnosticada com câncer. “Ele se comprometeu a fazer alguma atividade voltada para pacientes oncológicos. Desde então, a gente vem trabalhando. Começou com um grupo de cinco pessoas, hoje somos em 140”, conta Cristiane.

Com o crescimento dos voluntários, também acontece o aumento dos atendimentos. A sede funciona em um local emprestado e, com a crescente demanda, é necessário encontrar um novo local. A equipe tem organizado eventos, almoços beneficentes e rifas, mas interessados também podem contribuir com doações pelo site.

Durante os 10 anos, o CAPO já recebeu diversos pacientes e voluntários. Uma delas é Dayse Rios, de 62 anos. Resiliente, fortalecida, com coragem e fé, cercada de amor e cuidados. É assim que a carioca que mora em Curitiba há mais de duas décadas define a vida. Diagnosticada com câncer de mama em 2021, Dayse conta que sua história com o CAPO começou muito antes da doença.

Antes de Dayse se tornar paciente do local, a aposentada era uma dos 140 voluntárias que atuam no local. O que nos olhos alheios pode parecer uma ironia da vida, ela passou a enxergar como missão.

“Entre a minha família, eu pensava como mãe, filha, irmã: ainda bem que é comigo, porque eu, desde voluntária do CAPO, aprendi a não olhar para a doença como um castigo”, explica.

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Dayse Rios. Foto: Arquivo pessoal

Entre os serviços oferecidos no local estão consultas com diferentes profissionais da saúde, como nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Além disso, também há terapias complementares, como acupuntura, meditação, cromoterapia, reiki, homeopatia, entre outras atividades realizadas com profissionais voluntários.

Dayse começou a fazer parte do CAPO em 2016, após indicação de uma amiga. Desde então, a aposentada passou a auxiliar na recepção e acolhimento dos pacientes. Segundo ela, desde o início ela se conectou com o propósito do projeto que é o de ajudar o próximo. “Quando você se torna voluntária, você começa a enxergar as suas dores e entender que elas são menores”, afirma.

Família CAPO

Presidente do CAPO, Cristiane explica que um dos pilares defendidos é o da espiritualidade. A presidente ressalta que o conceito vai muito além de religião. O objetivo de todo trabalho entregue pela equipe é conectar os pacientes com a fé individual e dar propósito aos questionamentos que, com frequência, inquietam os pensamentos durante o tratamento.

“Pode ser Deus, pode ser a natureza, pode ser o infinito, o que ele achar que dê suporte emocional para ele. Hoje em dia, estudos comprovam cada vez mais, principalmente dentro da academia de medicina e cardiologia, como a espiritualidade é fundamental para a vida do ser humano”, comenta.

A presidente relata que, infelizmente, muitos pacientes morrem durante o tratamento, devido à gravidade da doença. Mas ela diz que há conforto ao ver que a “passagem” é serena. “A gente trabalha o conceito de que a doença não é um castigo, mas sim um aprendizado e isso conforta o coração das pessoas”, ressalta Cristiane.

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O CAPO oferece apoio gratuito à pacientes oncológicos. Foto: Divulgação

Dayse recorda que quando recebeu o diagnóstico do câncer de mama, ele já estava em estágio avançado. Por isso, interrompeu o trabalho voluntário e passou a frequentar o local do outro lado do balcão, no lugar de paciente. Ela conta que passou por todo tratamento agressivo de quimioterapia, cirurgia, radioterapia e, quando a doença entrou em remissão, passou a utilizar as terapias complementares oferecidas pelo CAPO.

Ela afirma que, por já estar lá dentro há anos, ela entendia desde o início da doença o quanto era importante para o paciente fortalecer o emocional e o espiritual. “Como eu participava de tudo aquilo ali, automaticamente, a gente vai se fortalecendo também, sabe?”.

Atualmente, Dayse segue afastada do CAPO como voluntária. Segundo ela, há um ano e meio ela recebeu o diagnóstico de metástase nos ossos. Assim como na primeira vez, nenhum profissional soltou a mão dela.

“Eu falo que a recidiva da doença é muito mais difícil e uma metástase assusta muito mais do que o primeiro diagnóstico. É uma coisa que me abalou, mas a lição que eu tiro disso é o apoio do CAPO se repetindo e mostrando pra mim que eu não estou sozinha. Aprendi lá que se a gente consegue ser forte uma vez, a gente sempre será forte”, destaca.

Há um ano e meio, Dayse enfrenta uma metástase nos ossos. Foto: Arquivo pessoal

Cristiane relembra do relato de uma ex-paciente que contou ter se sentido excluída quando foi diagnosticada com câncer. Porém, ao chegar no CAPO, o sentimento foi outro, de estar sendo abraçada e amparada. Dayse compartilha da mesma opinião. Ela mora em Curitiba há 23 anos e, segundo a aposentada, a maioria dos seus amigos são do CAPO. Para ela, a equipe se tornou uma segunda família e o local, uma segunda casa.

Quem ajuda também precisa de ajuda

De acordo com Cristiane, os pacientes oncológicos interessados em participar dos atendimentos do CAPO podem se inscrever diretamente pelo site, pelo telefone (41) 99595-9111 ou presencialmente. De início, o paciente é encaminhado para uma roda de acolhimento com psicólogos para, em seguida, ser redirecionado para atendimentos mais adequados para as necessidades.

O CAPO realiza cerca de mil atendimentos por ano. Apenas em julho, 94 pacientes foram atendidos de forma on-line ou presencial. O público majoritário são mulheres e idosos.

Assim como a história de Dayse, que tanto ajudou e hoje é ajudada, o CAPO também precisa de ajuda. Cristiane explica que o local em que ele funciona é emprestado e tem chances de ter que ser devolvido a qualquer momento. Além disso, ele já está pequeno para a quantidade de atendimentos prestados.

O maior problema da instituição é a necessidade de uma nova sede. A equipe tem organizado eventos, almoços beneficentes e rifas, mas interessados também podem contribuir com doações pelo site.

“Você pode fazer doações mensais, pode fazer doações esporádicas, pode doar uma vez, pode programar para doar todo mês. É de pouco em pouco que nós podemos manter o trabalho funcionando. São muitos pacientes para corrermos o risco de deixar de atender por falta de um espaço físico”, diz Cristiane. 

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CAPO precisa de ajuda para manter atendimentos. Foto: Divulgação

Dayse ressalta que o apelo é para que as pessoas ajudem a multiplicar o bem, visto que o local oferece gratuitamente terapias que, por muitas vezes, alguns pacientes oncológicos podem não ter acesso.

“É um trabalho que eu, como paciente e voluntária, testemunhei centenas de pacientes saírem agradecidos pela ajuda, não só com o físico, mas o emocional e o espiritual”, destaca.

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