São Paulo – O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, garantiu que a entrada do PMDB na reforma ministerial não tem objetivo eleitoral e está apenas honrando o compromisso assumido com o partido no ano passado. Segundo o ministro, o governo pretende estabelecer uma aliança com o PMDB para investir no desenvolvimento do país.

Ele disse também que o compromisso com o PMDB gira em torno de um projeto de desenvolvimento nacional e não da obtenção de maioria no Congresso. “Queremos construir uma aliança de longo prazo e deixamos isso claro. Fazemos isso com transparência”, afirmou o ministro.

Decisão

Dirceu explicou que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir se a reforma será administrativa ou política. Disse também que o presidente sabe exatamente o que fazer. “Ele está criando as condições políticas para fazer a reforma. Estamos conversando com os partidos e o Lula já tem condições para tomar as decisões. Ele está totalmente à vontade para aumentar a participação dos partidos no governo”, informou. Segundo o ministro, não há prazo estabelecido para conclusão da reforma. “Se colocarmos prazo, vamos ser obrigados a cumprí-lo. Nós conhecemos o presidente Lula. Ele trabalha com tranqüilidade e serenidade.”

Tarso nega ter indicação para superministério

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– O ministro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Tarso Genro, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe garantiu que a reforma ministerial será realizada. Tarso e mais 20 ministros se reuniram anteontem com o presidente, em encontro convocado para discutir metas de emprego. Segundo Tarso, o presidente Lula detém “corretamente o monopólio das informações sobre a montagem do ministério”. “Não tenho nenhuma informação sobre isso e continuo a realizar o meu trabalho”, disse ele, após participar de reunião na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Questionado sobre eventual convite de Lula para ser um superministro da área social, Tarso Genro disse bem-humorado: “Eu não tenho cara de superministro. Sou um ministro médio”. Ele comentou que “não foi suscitado pelo presidente sobre essa questão do superministério da área social”. O ministro disse que participou de uma reunião “exaustiva”, coordenada pelo presidente Lula, das 16h à meia-noite. “Cada ministro apresentou o trabalho a ser desenvolvido neste ano e nada disso foi tratado”, complementou. O ministro disse que o CDES já cumpre funções de efeito social.

Reforçando posição sustentada pelo ministro José Dirceu, Genro disse que o governo “está andando” com suas prioridades de desenvolvimento nas áreas econômica, de infra-estrutura e social bem definidas. Segundo Tarso, o governo vai investir três vezes mais do que em 2003. A idéia do Palácio do Planalto é priorizar saneamento, habitação, geração de emprego, juventude e a segurança pública nas grandes cidades”, ressaltou.

PTB e PP terão mais espaço no governo

São Paulo

(AE) – O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o governo reconhece que o PTB e o PP devem aumentar sua participação no governo. “Nem o PTB, e eu acabei de conversar com o Fleury (o ex-governador e deputado Luiz Antonio Fleury Filho), nem o PP impuseram ou solicitaram data ao governo. Deixaram o presidente à vontade para participação desses partidos, o que é uma realidade e o governo reconhece”, afirmou o ministro.

Dirceu disse que ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverão manter contato neste final de semana para discutirem a reforma ministerial. Os dois devem passar o dia hoje e amanhã em São Paulo. Segundo o ministro, Lula já tem todas as informações para que organize a reforma. “Agora, depende dele (Lula) qualquer outra iniciativa e estou à disposição para retomar a conversa com os partidos caso o presidente necessite de alguma outra informação ou caso seja necessário realizar alguma contraproposta”, comentou ele.

Miro

O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, disse, ao chegar à sede paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) para participar de ato de desagravo ao deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que seu cargo está à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde quando assumiu a pasta. “O presidente Lula sabe que desde a minha posse meu cargo está à disposição dele”, comentou Miro.

Adauto

Já o ministro dos Transportes, Anderson Adauto (PL), disse que os problemas com o seu partido, que poderiam prejudicar a sua permanência no governo com a reforma ministerial, já foram equacionados. Adauto disse que já acertou os ponteiros com o partido num jantar na casa do presidente nacional do PL, deputado Valdemar da Costa Neto.