O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a jornalista Mônica Veloso e o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo serão chamados a depor no processo em que o Conselho de Ética investiga denúncia contra o parlamentar, por suspeita de quebra de decoro parlamentar. O depoimento dos três foi considerado "imprescindível" pelo senador José Nery (PSOL-PA), membro do partido que ingressou com a representação contra Renan.

Nery disse que, se o relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA) não providenciar o comparecimento dos três ao Conselho, ele próprio o fará por meio de um requerimento. Nesse caso, como ele não é integrante do Conselho, o pedido terá de ser avalizado por outros senadores do colegiado. Nery afirma que os argumentos para ouvir os principais envolvidos são "consistentes", a ponto de inviabilizar a hipótese de ter o seu requerimento rejeitado. "Não estamos prejulgando o senador Renan, mas já que a denúncia existe, é necessário que seja apurada dentro do que manda o processo", disse o senador maranhense. "O que não podemos é aceita a absolvição por antecipação".

A denúncia do PSOL se baseia em matéria publicada na revista Veja, segundo a qual Renan teve suas contas particulares – aluguel e pensão alimentícia, no valor de R$ 12 mil, entregues a Mônica, com quem ele tem uma filha de três anos – pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo. O senador rebateu a informação, mas Mônica afirma que pegava o dinheiro de Gontijo, em seu escritório no edifício da empreiteira.