Brasília – O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, criticou ontem o que ele classificou de exagero das CPIs no interrogatório e também a atitude do Ministério Público de São Paulo, que vazou o depoimento de Rogério Buratti, ex-assessor de Antônio Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto.

Edson Vidigal esteve na tarde de ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem convidou para o encerramento do Seminário Internacional de Alternativas de Combate à Impunidade, que será realizado no próximo dia 6. "O Congresso tem assegurado o direito da investigação sempre que há um fato determinado. Isso não pode ser visto como crise. A investigação tem que ir a fundo, o que está havendo é a coreografia do momento. Alguns atores estão exagerando em seus papéis, mas os exageros também são muito típicos de momentos raros como este", disse Vidigal.

Segundo ele, as CPIs têm a mesma responsabilidade e deveres das autoridades judiciárias, entre eles dar tratamento civilizado aos depoentes. Com relação ao Ministério Público, Vidigal disse que a atitude do MP de São Paulo foi no mínimo precipitada. "O depoimento sequer havia terminado e alguém descia para passar flashes. Defendo até a morte o direito à informação, mas também o direito à tutela da honra das pessoas. Não podemos permitir que se estraçalhe a honra das pessoas que estão sob investigação", disse.

O presidente do STJ não vê o momento político pelo qual o País atravessa como uma crise e disse que a investigação das denúncais é salutar para a democracia. Vidigal manifestou apoio à iniciativa de Lula de convidar os chefes de todos os poderes para um encontro nesta quarta-feira. "Eu acho salutar. O País precisa que todos os homens públicos se entendam cada vez mais", disse.

Para Vidigal, o momento é de "afinar a rabeca": "É preciso ver o tom da rabeca para continuar trabalhando. Eu não estou com a rabeca, a rabeca está com o presidente Lula".

Quem usou o mesmo tom ontem foi o presidente do Senado, Renan Calheiros. Ele disse que o atual momento é propício para o governo "corrigir rumos e aparar arestas". Questionado sobre a reunião da qual participaria no começo da noite no Palácio do Planalto com o presidente da República e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, Renan disse que, em momentos de crise, é importante que as instituições conversem.

"Meu propósito é colaborar com a normalidade e cumprir meu papel institucional. Será bom para o País demonstrar o funcionamento das instituições, a votação das agendas legislativas e o aprofundamento das investigações sobre os casos de corrupção", disse, frisando que, só no primeiro semestre, foram votadas 1.100 matérias no Senado Federal.

Renan Calheiros acrescentou que o momento atual representa uma boa oportunidade para que sejam feitas mudanças nas legislações concernentes a lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas eleitorais.