Brasília – Como a ala governista do PMDB não pretende acatar a decisão da Executiva Nacional do partido, que deu 48 horas para os ministros entregarem os cargos ao governo, está mantida a realização da convenção neste domingo. Os governistas do PMDB não reconhecem a legitimidade da reunião de ontem, na qual a Executiva deliberou, por nove votos a oito, que os cargos deveriam ser entregues em 48 horas. Se os governistas concordassem em entregar os cargos até amanhã, a convenção do dia 12 seria adiada para 2 de março, mas como isso não aconteceu, está mantida convenção de domingo.

A divisão no PMDB entre a ala que defende a permanência do partido na base aliada e a que prega o rompimento com o governo se agravou ontem. Depois de adiada para 2 de março, a convenção do partido para decidir sobre a relação com o Palácio do Planalto foi confirmada para o próximo domingo, dia 12. Os governistas, contrários à sua realização, podem até entrar na Justiça para impedir o evento.

Na reunião da Executiva de ontem, o PMDB decidiu adiar a convenção, como queriam os governistas, mas deu prazo de 48 horas (até 13h de amanhã) aos ministros do partido para entregar os cargos. Como a ala governista informou que não pretendia acatar a decisão, ficou mantida a realização da convenção no domingo.

A ala governista – que queria o adiamento da convenção por não ter voto suficiente para garantir a permanência na base – não reconhece a legitimidade da reunião de ontem. A votação sobre a realização ou não da convenção ficou em nove votos a oito, com o desempate sendo do presidente do PMDB, Michel Temer. Os governistas vão continuar tentando adiar a convenção. Podem inclusive, recorrer à Justiça para impedir a realização do encontro. Outra estratégia seria a de esvaziar a reunião para que o grupo que defende a ruptura com o governo não consiga quórum para aprovar a saída do partido da base aliada.

Os dois ministros do partido – Eunicio Oliveira, das Comunicações, e Amir Lando, da Previdência – são favoráveis à permanência do PMDB na base de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ala governista é encabeçada ainda pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), e pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). O presidente do PMDB, Michel Temer, era a favor da convenção já neste domingo, dia 12. Os ex-governadores Anthony Garotinho, que controla o partido no Rio, e Orestes Quércia, que comanda em São Paulo, são da ala oposicionista, que deseja o rompimento com o governo.

Governabilidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, que o PMDB tem o direito de decidir pelo rompimento com seu governo e que respeitará a decisão do partido, se ela for tomada na convenção do próximo domingo. Disse Lula, que ainda se o partido deixar a base aliada, o governo tentará fazer acordos pontuais em alguns projetos importantes para o país. "O PMDB é um partido que pode decidir estar no governo ou pode decidir não estar no governo. Pode decidir ter candidato próprio ou decidir não ter. É uma decisão do partido que eu respeito e não me meto. O que acho importante é ter claro que, se o PMDB decidir não participar do governo, pela maioria da sua convenção, nós vamos respeitar e estabelecer acordos pontuais em cima de projetos", afirmou. Perguntado se a governabilidade estará garantida sem o PMDB na base aliada, o presidente respondeu: "Sim, a governabilidade estará garantida".