Passados 82 dias de sua absolvição no primeiro processo levado a plenário, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), volta a ser julgado na terça por quebra de decoro parlamentar. A tendência é de que ele seja novamente inocentado, mesmo enredado por nova denúncia, de mobilizar a Polícia Legislativa para bisbilhotar senadores de oposição. Desta vez, ele é acusado de ter usado laranjas na compra de duas rádios e um jornal em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra, autor da denúncia.

Tanto parlamentares da base aliada quanto de oposição apostam que Renan terá um placar mais favorável do que no primeiro julgamento, de 12 de setembro, quando contou com os votos de 46 senadores – 40 votaram contra a cassação e 6 se abstiveram. Outros 35 votaram pela perda de mandato. Ele era acusado de ter contas pessoais – incluindo pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento – pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.

?O silêncio do processo traduz o acórdão?, resumiu ontem o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). A oposição está certa da existência de um acordo entre Renan e o PT. Em troca da aprovação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, os petistas votariam contra a cassação. No primeiro julgamento, parte da bancada do PT votou pela abstenção, o que ajudou Renan.

Apesar de o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) já ter avisado que, desta vez, votará pela cassação, a oposição está convicta de que a maioria dos petistas salvará o presidente licenciado do Senado. A avaliação é de que apenas Mercadante e Eduardo Suplicy (PT-SP) votarão pela perda de mandato. Para que ele seja punido, 41 dos 81 senadores precisam votar pela cassação. O voto é secreto, mas terça, ao contrário de 12 de setembro, a sessão será aberta.