Militantes do MST protestaram contra
as prisões dos líderes do movimento.

Presidente Prudente – Setecentos militantes do Movimento dos Sem Terra (MST) caminhavam ontem pela rodovia Assis Chateaubriand em direção a Presidente Prudente, em protesto contra as prisões dos líderes do movimento José Rainha Júnior, sua mulher Diolinda e Felinto Procópio dos Santos. Enquanto isso, a senadora Heloísa Helena afirmava que as prisões de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) devem ser tratadas como uma questão de Estado. “Está claro que são prisões políticas e causam uma situação de instabilidade no País.”

Ela informou que o Senado designou uma comissão especial de senadores para acompanhar os casos dos líderes José Rainha Júnior, sua mulher Diolinda e Felinto Procópio dos Santos, o “Mineirinho”, que estão presos na região, e de outros 9 militantes com mandados de prisão. Os integrantes da comissão, entre eles a própria Heloísa e o senador Eduardo Suplicy (PT/SP) visitam os presos na próxima semana. Ontem, a senadora visitou Diolinda em Piquerobi, acompanhada dos deputados João Batista Araújo, o Babá (PT/PA), Luciana Genro (PT/RS) e Adão Preto (PT/RS), e do coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues.

Segundo Heloísa, a presa está sendo bem tratada, mas continua revoltada com as circunstâncias de sua prisão. “Ela tem dois filhos pequenos, inclusive uma menina de 2 anos e pouco, e a criança agarrava sua perna no momento da prisão e os policiais a arrancaram.”

O grupo visitou também Rainha e Mineirinho na penitenciária de Dracena. De acordo com a senadora, eles estão sendo tratados com dignidade. “Vamos insistir para que sejam transferidos, na condição de presos políticos, para uma delegacia da Polícia Federal em São Paulo ou Brasília.” Uma carta escrita por Diolinda foi lida durante o ato público na frente da Catedral de Presidente Prudente. Ela revela a saudade dos filhos João Paulo e Sofia e pede aos companheiros que “não se curvem” diante das injustiças. “Se vocês gritarem nos acampamentos, eu vou escutar aqui”, diz. Diolinda ficou mais esperançosa ao receber a informação de que o procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, deu parecer favorável ontem à concessão de habeas-corpus para sua soltura. A decisão, no entanto, cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O MST leu também uma nota da executiva estadual do PT dirigida ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e ao presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, Sérgio Nigro, manifestando preocupação com a “escalada de repressão” contra o movimento. Segundo a nota, a prisão de Rainha e Mineirinho decretada pelo juiz Atis de Araújo Oliveira caracteriza “explícito cerceamento dos direitos democráticos”. O PT considera as prisões “perseguição política ao movimento social”.

Tensão no Incra de Pernambuco

Recife

– Depois de manter como reféns 50 servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por aproximadamente seis horas, na noite de anteontem, cerca de 70 agricultores ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), continuam acampados na sede do órgão e exigem a retomada imediata da negociação de uma pauta de reivindicações.

Liberado na madrugada da sexta-feira, junto aos demais reféns, o superintendente do Incra em Pernambuco, João Farias suspendeu as negociações. Durante todo o dia de ontem, o clima foi tenso no local. Apesar da determinação do superintendente para que o expediente fosse cumprido integralmente vários funcionários faltaram ao trabalho. Outros, mesmo tendo comparecido não escondiam o receio de uma nova ação dos sem-terra acampados no local.

“Ontem vivemos momentos de muita apreensão. Estamos trabalhando duro para tentar acelerar os processos e não achamos justo termos sido tratados como inimigos dos agricultores”, disse um servidor da Procuradoria do Incra, que preferiu manter a identidade sob sigilo.