Os principais problemas para realização de pousos atualmente nos aeroportos do País são os nevoeiros e as chuvas, segundo informou o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), major-brigadeiro Ramon Cardoso. "É o que tem dado mais problemas no Brasil", declarou.

Ele observou que o que auxilia bastante os pilotos nestes casos de visibilidade ruim é o sistema de aproximação e pouso por instrumentos, conhecido como Instrument Landing System (ILS), dividido em três categorias. No Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde se opera com o ILS I, o piloto assume o pouso manual quando a aeronave atinge 60 metros de altura. Já no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, opera-se com o ILS de categoria II, em que o piloto realiza o pouso manual a partir de 30 metros de altura. O ILS de categoria III (e inexistente nos aeroportos brasileiros), permite que o piloto pouse com segurança com visibilidade quase nula.

Em Congonhas, onde ocorreu a tragédia com o Airbus A 320 da TAM, ainda está sendo estudada a mudança de categoria para o ILS II. O entrave, segundo o diretor do Decea, são as condições estruturais do terminal aeroportuário paulista. "Não dá para colocar 700 metros de luzes na cabeceira da pista, porque senão estaria entrando dentro dos prédios", comentou Cardoso, informando ainda que o custo para implantação do sistema gira em torno de US$ 2 milhões.

O major-brigadeiro Ramon Cardoso comentou também que equipes técnicas estão em campo para realizar as análises. E disse que não foi "cogitado nenhum aumento de tarifa". O diretor do Decea lembrou que a implantação do ILS implica em custos às companhias aéreas, pois exige a compra de equipamentos e treinamento de tripulação.